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Jogos: Castle of Heart: Retold – Análise

Castle of Heart: Retold traz de volta o exigente platformer de fantasia sombria eslava, com combate, visuais e narrativa renovados, numa edição definitiva.

Castle of Heart: Retold

Jogo: Castle of Heart: Retold
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: 7Levels
Editora: 7Levels

Castle of Heart: Retold
Por vezes, um jogo merece uma segunda oportunidade. Castle of Heart foi um desses casos, um exclusivo da Switch lançado em 2018 que conquistou uma base de fãs dedicada, apesar dos controlos desajeitados, animações rígidas e mecânicas frustrantes. Avançando até ao presente, temos Castle of Heart: Retold, uma reinterpretação completa daquele ambicioso projeto de fantasia sombria. Não é apenas um remaster, mas sim uma reconstrução de raiz, que transmite a sensação de ser a versão que devíamos ter recebido logo à primeira.

Essialmente, Castle of Heart: Retold é um platformer de ação 2.5D profundamente inspirado na mitologia eslava. Jogamos como Svaran, um guerreiro amaldiçoado por um Feiticeiro maléfico a transformar-se lentamente em pedra. A sua amada, Mira, a última sacerdotisa de Mokosh, foi raptada, e a tua missão passa tanto por a salvar como por travar a deterioração do teu próprio corpo. Isto não é apenas adorno narrativo: a tua vida esvai-se constantemente, simbolizando a erosão gradual do corpo de pedra. É, ao mesmo tempo, brutal e brilhante.

Castle of Heart: Retold

Esse “relógio” incessante define tudo. Não podes jogar pelo seguro, não podes defender-te indefinidamente, tens de avançar, combater inimigos, recolher pontos de vida e alcançar pontos de controlo antes que a maldição da pedra te consuma por completo. No papel, parece enlouquecedor, mas na prática funciona de forma notável, aumentando a tensão sempre que entras numa nova área. Quando a vida desce demasiado, chegas mesmo a perder um braço, limitando literalmente as tuas opções de combate. É duro, sim, mas encaixa perfeitamente no tema.

O combate é uma dança desesperada. A tua espada é fiável mas arriscada, os confrontos corpo a corpo quase sempre resultam em dano. É aí que entra o vasto arsenal de armas secundárias: lanças, bestas, bombas, facas, tochas e machados. Não são meros complementos, são ferramentas essenciais, e dominá-las é o que separa a vitória da derrota.

Castle of Heart: Retold

Desta vez, o combate transmite uma sensação de peso satisfatória. As esquivas são mais rápidas, os bloqueios fiáveis, e os ataques especiais devastadores mas caros, drenando literalmente a tua barra de vida. Até o cenário participa na luta: podes deixar cair uma lanterna para incendiar inimigos ou soltar destroços para esmagar perseguidores. Cada encontro é um enigma com múltiplas soluções, e o novo ritmo de combate está a anos-luz dos golpes desajeitados do original.

A jornada leva-te por fortalezas em ruínas, aldeias abandonadas e florestas míticas saídas do folclore eslavo. O leque de inimigos também está enraizado nessas tradições, desde chorts e ghouls a inquietantes vodniks. As batalhas contra chefes marcam o progresso com escala e intensidade, obrigando-te a dominar tudo o que aprendeste até então.

Os níveis são mais longos e complexos do que parecem à primeira vista. Caminhos alternativos e rotas secretas recompensam a exploração, enquanto a escassez de pontos de controlo transforma cada secção numa provação de nervos. Os colecionáveis, os Cristais de Mokosh, estão escondidos em cada fase. Encontrar todos desbloqueia novos finais, uma forma inteligente de prolongar a rejogabilidade para lá da dificuldade punitiva.

Castle of Heart: Retold

O que distingue Retold é a profundidade da transformação face ao original. As animações são fluidas em vez de rígidas, os cenários brilham com melhor iluminação e os modelos das personagens condizem finalmente com o tom sombrio do jogo. A banda sonora foi remixada, reforçando a tensão e a atmosfera mítica.

Mas o verdadeiro triunfo está nas melhorias de controlo e combate. Os saltos “flutuantes” desapareceram, substituídos por um platforming mais preciso. A resposta aos comandos é imediata, incentivando a correr riscos sem parecer injusta. Até a narrativa foi revista: diálogos reescritos, cinemáticas refeitas e um maior peso mitológico. Já não se sente como uma relíquia emendadinha, mas sim como a visão plenamente concretizada que os criadores tinham em 2018.

Castle of Heart: Retold

Resta concluir que, Castle of Heart: Retold não facilita. É exigente, por vezes implacável, e nem todos vão apreciar a pressão constante de uma barra de vida em declínio. Mas se procuras um action-platformer sombrio, atmosférico, inspirado na mitologia eslava, que recompensa o risco e te obriga a adaptar sob pressão, esta é a versão definitiva que vale a pena experimentar.

Nota: 6,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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