Jogos: Alphadia III – Análise
Alphadia III é uma joia nostálgica no mundo dos RPG, que liga o passado e o presente com alma, estratégia e um belo pixel art.
Jogo: Alphadia III
Disponível para: Android, iOS, PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Exe Create Inc.
Editora: KEMCO
Alphadia. Para muitos jogadores de RPG clássicos, este nome soa quase como um ritual. Uma série extensa da KEMCO que, mesmo nunca tendo sido “mainstream”, conquistou um nicho fiel ao longo dos anos. Em maio de 2025, Alphadia III chegou oficialmente ao Ocidente em iOS e Android, um regresso inesperado de um título que nasceu em 2009 nos feature phones japoneses. Já em setembro, o jogo expandiu a sua presença ao chegar também às consolas e ao PC. É um pedaço de história revivido, com surpresas suficientes para não ser apenas uma peça de museu digital.
A proposta de Alphadia III é curiosa: trata-se de uma prequela do Alphadia original e, consequentemente, de Alphadia II. Isto significa que não é necessário conhecer os outros jogos para embarcar nesta aventura, mas, para quem já está familiarizado com a saga, a experiência ganha mais camadas. Estamos no Ano 970 de Alphadia, nos últimos estágios da temida Guerra Energi. Três nações em conflito, o império de Schwarzschild, o reino de Nordsheim e a união de Luminea, disputam o controlo de uma energia vital que alimenta tanto máquinas como corações humanos. No meio deste cenário, acompanhamos Alfonso, um clone criado com energi, que começa a despertar para algo muito humano, a dúvida.
Se a história parece simples à primeira vista, basta prestar atenção aos seus detalhes para notar a subtileza. Alfonso, inicialmente apenas mais uma peça da engrenagem numa guerra sem fim, encontra em Tarte, uma jovem, um ponto de viragem. Ao saber da morte de um clone como ele, começa a questionar a sua própria existência. É o tipo de arco que pode soar a cliché, mas que funciona bem como porta de entrada ao mundo Alphadia. Há uma carga filosófica discreta, onde a busca por sentido contrasta com a ambição cega das nações.
Em termos de jogabilidade, Alphadia III mantém a tradição: combates estratégicos por turnos, com aquele sabor “old school” que nunca perde o encanto. Mas o jogo não se limita ao básico. Há sistemas renovados, como o Energi Crock, matrizes personalizáveis e habilidades SP que podem literalmente virar uma batalha do avesso. Existe ainda a possibilidade de melhorar a nave até transformá-la num hidroavião, missões extra, arenas e muito mais. Nada disto revoluciona o género, mas acrescenta o suficiente de novidade para não parecer apenas uma reciclagem.
E aqui surge o ponto que pode dividir opiniões: os gráficos. Alphadia III aposta no pixel art, sem qualquer vergonha. Para os fãs de RPGs de 16 bits, é pura poesia visual. Mapas detalhados, sprites cheios de personalidade, menus limpos. No entanto, para quem espera algo mais moderno, a estética pode soar datada. Não é defeito, é estilo, mas convém avisar.
Outro mérito é o ritmo que o jogo consegue manter. Não arrasta a narrativa, mas também não despeja informação em excesso de uma só vez. É um equilíbrio interessante, sobretudo num mercado móvel saturado de RPGs que apostam em velocidade artificial ou monetização agressiva. Alphadia III não tenta ser “trendy”. Quer ser aquilo que é, um RPG clássico com pequenas modernidades.
No fim, Alphadia III é menos sobre inovação e mais sobre legado. É um título que respira história e que, finalmente, pode ser experimentado por jogadores fora do Japão de forma oficial. Se já conheces Alphadia, vais reparar em detalhes que enriquecem a cronologia. Se não conheces, é uma boa porta de entrada para explorares uma das sagas mais duradouras da KEMCO.
Nota final: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






