Jogos: Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian – Análise
Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian marca o regresso da série às raízes clássicas, depois do desvio para o mobile gacha que deixou muitos fãs desconfiados. Desta vez, a promessa cumpre-se: temos um JRPG offline, pensado para ser jogado sem pressas nem limitações artificiais.
Jogo: Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: KOEI TECMO GAMES CO., LTD.
Editora: KOEI TECMO GAMES CO., LTD.
A aventura centra-se em dois protagonistas contrastantes mas complementares. Rias Eidreise é a força optimista que dá leveza à narrativa, enquanto Slade Clauslyter aporta o peso mais sério e introspectivo. A dinâmica entre ambos é convincente e acaba por salvar uma história que aposta demasiado em cameos e piscadelas de olho à nostalgia. Doze anos após a destruição da sua terra natal, Hallfein, a dupla embarca numa investigação que os leva a um ateliê abandonado e a masmorras geradas de forma processual. O problema? Estas parecem mais corredores vazios do que mundos misteriosos.
A exploração é, sem dúvida, o elo mais fraco. Cenários repetitivos e recompensas pouco entusiasmantes tornam cada incursão uma obrigação em vez de uma descoberta. Pelo contrário, o sistema de reconstrução de Hallfein é viciante: ver a cidade renascer à medida que se investem recursos nos cinco distritos oferece uma sensação de progresso palpável e gratificante.
Se o mundo falha em inspirar, as personagens conseguem compensar. A relação entre Rias e Slade cria momentos genuínos e dá alma à narrativa. Já os fãs de longa data terão um prazer extra em reencontrar figuras de jogos anteriores, ainda que a maioria surja em participações breves e pouco relevantes. Para quem chega agora à série, estas aparições soam mais a intromissão do que a valor acrescentado.
É no combate que Resleriana brilha. O sistema clássico por turnos regressa afinado e estratégico, longe da vertente híbrida de ação de títulos recentes. Entre a barra de Unity, a defesa cronometrada e a possibilidade de trocar personagens a meio do turno, o resultado é um jogo do gato e do rato que recompensa planeamento e timing. O único conselho: aumentem logo a dificuldade, porque em Normal o desafio é quase inexistente.
A alquimia, marca registada da série, surge também em grande forma. O novo sistema de síntese por ligações de cor é intuitivo, complexo q.b. e viciante ao ponto de nos fazer perder horas em busca da combinação perfeita. É aqui que o ADN de Atelier mais se sente vivo.
No campo técnico, o contraste é evidente. As personagens são detalhadas, expressivas e animadas com cuidado, mas as masmorras sofrem com texturas pobres e ambientes sem atmosfera. Por outro lado, acompanhar a evolução de Hallfein é visualmente recompensador e um dos grandes pontos fortes do jogo. A banda sonora cumpre e a dobragem japonesa é de alta qualidade, mas a ausência de vozes em muitas missões secundárias fragiliza o impacto dos cameos. Na Switch, o desempenho é estável, com apenas pequenas quebras ocasionais.
No fim, Atelier Resleriana: The Red Alchemist & the White Guardian é um jogo de contrastes. Traz de volta o combate estratégico e a alquimia envolvente que tornaram a série especial, mas perde fulgor na exploração e na narrativa carregada de fan service. Para os veteranos, há aqui bastante para saborear. Para os novatos, há opções mais acessíveis e convidativas, como Ryza ou Sophie, antes de mergulhar nesta celebração da nostalgia.
Nota Final: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






