Central Comics

Banda Desenhada, Cinema, Animação, TV, Videojogos

Jogos: Curse Rounds – Análise

Curse Rounds é um roguelike implacável, que transforma cada derrota numa obra de arte em sofrimento.

Curse Rounds

Jogo: Curse Rounds
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Tentacles Interactive
Editora: QUByte Interactive

Curse Rounds

Curse Rounds é aquele tipo de jogo que parece simples, mas que nos prende partida após partida. À primeira vista, os visuais monocromáticos em 1-bit podem soar a uma experiência retro de laboratório, mas por trás do estilo minimalista esconde-se um roguelike shooter engenhoso e implacável, construído inteiramente em torno de uma única ideia: sobreviver enquanto estás amaldiçoado.

A premissa é brilhante na sua crueldade. Após cada nível, és obrigado a escolher entre duas cartas amaldiçoadas, e nenhuma delas é simpática. Talvez o teu movimento abrande, talvez o chão se torne escorregadio, ou talvez cada inimigo decida duplicar-se quando é atingido. Progredir significa abraçar a desvantagem, e essa negociação constante com o castigo dá ao jogo a sua identidade.

Começas com 10 vidas e uma pequena arena cheia de inimigos reconhecíveis, ratos, cogumelos que explodem, touros que investem diretamente contra ti, galinhas que largam bombas com prazer. A cada três níveis aparece um chefe e, se sobreviveres, és recompensado com uma carta de “bênção”: finalmente, algo positivo, como disparo mais rápido ou cura total. É uma mecânica de risco e recompensa que torna a dificuldade um pouco menos dolorosa.

Curse Rounds

O combate em si é puro caos de bullet-hell. O ecrã enche-se de projéteis, o chão fica repleto de armadilhas, e o mais pequeno erro vai desgastando a tua reserva de vidas. Ainda assim, raramente parece injusto. A geração processual garante que cada partida se sinta fresca, e os apoios, vidas extra, escudos temporários, rajadas de disparo rápido, equilibram o castigo.

Visualmente, o jogo acerta em cheio na sua atmosfera. A arte em pixels monocromática é simples mas expressiva, e cada inimigo tem personalidade apesar de ser apenas a preto e branco. A banda sonora lo-fi acompanha a estética na perfeição, conferindo ao conjunto um pulso de arcade cru. Alguns percalços técnicos, como inimigos a surgir por baixo da interface, podem frustrar, mas não quebram o ritmo.

Curse Rounds

Em suma, Curse Rounds não oferece modos extra nem longas campanhas, é direto, focado e sem vergonha de estar amarrado ao seu ciclo central. Isso pode limitar a longevidade, mas, enquanto título acessível, joga a seu favor. O que se obtém é um roguelike compacto, estiloso e desafiante que prospera na sua mecânica amaldiçoada.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights