Jogos: Hell Clock – Análise
Hell Clock oferece uma fusão explosiva de combate frenético, personalização profunda e um cenário histórico raramente explorado.
Jogo: Hell Clock
Disponível para: PC
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Rogue Snail
Editora: Mad Mushroom

Situado numa versão estilizada e sobrenatural do Brasil de 1903, o jogo inspira-se narrativamente no Massacre de Canudos, reimaginando-o através de uma lente sombria e infernal. Os jogadores assumem o papel de Pajeú, um armeiro e relojoeiro que desce ao Inferno em busca da alma do seu mentor.
A jogabilidade é fortemente influenciada por títulos como Hades, Diablo e Path of Exile. O combate é cinético e responsivo, incentivando os jogadores a dominar habilidades únicas, como ataques rotativos com faca, lâminas eletrificadas e investidas que abrandam o tempo. Notavelmente, todas as habilidades, desde o movimento ao ataque, podem ser trocadas ou melhoradas, tornando cada tentativa numa experiência distinta. O cronómetro “Hellclock”, que dá nome ao jogo, adiciona pressão ao contar o tempo de cada tentativa, embora possa ser pausado ou desativado para fins de acessibilidade.
A progressão baseia-se num sistema de morte permanente, suavizado por melhorias persistentes. Os jogadores mantêm relíquias e avanços na árvore de habilidades, permitindo que as construções se tornem progressivamente mais poderosas, com dano em área acumulativo, bónus de mobilidade e efeitos elementais. No entanto, essa curva de poder pode ser abruptamente travada por chefes que exigem equipamento específico ou por picos de aleatoriedade (RNG), obrigando a um planeamento estratégico mais cuidadoso.
A rejogabilidade é um dos pontos fortes. As sessões curtas e intensas são recompensadas com generosos bónus metajogo, e o conteúdo pós-jogo, como os modos Ascension e Hardcore, oferece desafios personalizados e alto valor de repetição. Visualmente, o jogo adopta um estilo gráfico marcante, semelhante ao da banda desenhada, evocando Darkest Dungeon, com arte 2D animada sobre fundos 3D sujos e sombrios. A banda sonora, composta por riffs de heavy metal e faixas dinâmicas, complementa a energia caótica, embora existam falhas técnicas, como quebras de desempenho e bugs de iluminação, em hardware menos potente.
Narrativamente, Hell Clock destaca-se pelo seu contexto histórico cativante. A história é discreta, a menos que o jogador a procure activamente. Os temas de vingança e trauma colonial conferem peso à narrativa, embora o desenvolvimento das personagens permaneça superficial.
Apesar das suas falhas, Hell Clock apresenta uma experiência mecanicamente rica, visualmente distinta e culturalmente enraizada na fórmula roguelite. Não reinventa o género, mas, sem dúvida, acrescenta-lhe fogo.
Nota: 6,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





