Jogos: Wuchang: Fallen Feathers – Análise
Como projeto de estreia do estúdio Leenzee, Wuchang: Fallen Feathers é uma tentativa ousada e ambiciosa de conquistar espaço num género Soulslike já saturado.
Jogo: Wuchang: Fallen Feathers
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Leenzee
Editora: 505 Games
Na sua estreia no género dos Soulslike, Wuchang: Fallen Feathers aposta numa fórmula familiar, mas tenta diferenciar-se com elementos próprios. A estrutura base segue os traços conhecidos, combate centrado em stamina, parry, esquiva e chefes exigentes. No entanto, o jogo do estúdio chinês Leenzee não se limita à imitação.
Entre as suas inovações destacam-se dois sistemas originais. O Skyborn Might, uma barra de habilidade que se preenche com esquivas e paragens perfeitas, introduz um ritmo mais técnico ao combate. Já o sistema Madness oferece uma dinâmica de risco-recompensa, quanto mais elevado o nível, maior o poder do jogador, mas também o perigo. Um valor excessivo pode até invocar um clone hostil após a morte, acrescentando tensão aos confrontos.
A árvore de habilidades, o Impetus Repository, permite reatribuições ilimitadas e gratuitas, incentivando a experimentação com diferentes estilos de jogo. A variedade de armas, de espadas a lanças e machados, soma profundidade, com movimentos e ataques especiais únicos que premiam o domínio a longo prazo. Importa, no entanto, frisar que Wuchang favorece uma abordagem agressiva e precisa, penalizando estilos mais defensivos.
Nem tudo corre de forma equilibrada. A dificuldade mostra-se irregular, com picos mal calibrados e lutas finais por vezes trivializadas por builds dominantes ou falhas de design. A ausência de um sistema de stagger completo, limitado a uma barra de postura pouco influente, compromete o impacto de certos encontros. Apesar disso, o design dos níveis compensa em parte, áreas densas e interligadas, embora sem mapa, valorizam a memorização e a exploração consciente.
A ambientação é um dos pontos fortes. Passado numa versão sombria da China da Dinastia Ming, o jogo mistura elementos históricos com grotesco fantástico. A protagonista, Bai Wuchang, é marcada pela praga Feathering, que transforma humanos em monstros. A narrativa é transmitida de forma indireta, através do ambiente e da descrição de itens, uma abordagem que agradará aos fãs do género, mas poderá frustrar quem procura uma história mais acessível.
Ainda assim, o silêncio prolongado da protagonista após as horas iniciais enfraquece o envolvimento emocional e representa uma oportunidade perdida de aprofundar a personagem num universo rico em simbolismo e horror.
Visual e estruturalmente, Wuchang revela ambição. As regiões do jogo, de palácios abandonados a florestas distorcidas, impressionam pela direção artística. Pequenos detalhes, como a deformação da neve ou os efeitos de iluminação dinâmica, enriquecem a experiência. A construção de mundo é coesa, com atalhos bem colocados e zonas interligadas que favorecem a exploração contínua.
A banda sonora reforça essa identidade, recorrendo a instrumentos tradicionais chineses como o pipa, o erhu e o dizi. As transições musicais durante as transformações de bosses contribuem para momentos mais cinematográficos e envolventes.
No entanto, tecnicamente, o jogo deixa a desejar. Apesar da direção artística inspirada, a fidelidade gráfica não acompanha os padrões atuais. Texturas baças, iluminação inconsistente e animações pouco polidas afetam a imersão. O design dos inimigos é desigual, há criaturas memoráveis, mas muitos adversários genéricos e NPCs pouco carismáticos prejudicam o conjunto. Os bosses iniciais destacam-se, mas o impacto perde força nas fases finais, afetado por repetição e desequilíbrios.
As performances variam entre plataformas. A versão Xbox Series é relatada como a mais estável, enquanto a versão para PS5 continua a sofrer com quebras de fluidez e problemas visuais, mesmo após atualizações.
Wuchang: Fallen Feathers é um projeto ambicioso que acerta na atmosfera, nos sistemas de combate e na construção de mundo. A proposta estética e cultural revela personalidade, e os elementos inovadores demonstram potencial. Contudo, problemas de equilíbrio, falhas técnicas e escolhas narrativas limitam o impacto do jogo. Como estreia, é um esforço sólido, e uma promessa do potencial que o estúdio Leenzee poderá revelar no futuro.
Nota: 6,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.







