Exposição ZÉ POVINHO 1875–2025 – 150 Anos de Sátira, Resistência e Identidade Popular
Uma exposição com curadoria de Jorge Silva, integrada no Salão Bordallo 2025, celebra uma das personagens mais marcantes da história cultural portuguesa — o Zé Povinho. A iniciativa é da Câmara Municipal das Caldas da Rainha e do Centro Cultural e de Congressos (CCC), com inauguração marcada para 28 de junho de 2025, às 17h00, no próprio CCC.
Uma figura centenária sempre atual
O Zé Povinho surgiu pela primeira vez a 14 de junho de 1875, nas páginas do jornal Lanterna Mágica, pelas mãos do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro. Desde então, assumiu-se como o retrato crítico do povo português — ingénuo, explorado, mas resiliente e atento. Sobreviveu à censura, regimes políticos e revoluções, tornando-se ícone incontornável da sátira nacional.
Ao longo dos tempos, diversos artistas deram continuidade ao legado de Bordalo. A exposição reúne obras e publicações originais de nomes como Stuart Carvalhais, José Vilhena, João Abel Manta, António, André Carrilho e Cristina Sampaio, entre outros.
Mais do que uma homenagem ao personagem, a mostra é uma reflexão sobre o papel da sátira e do humor gráfico como ferramentas de crítica social e participação cívica.
Uma história com 150 anos
Texto de João Alpuim Botelho, diretor do Museu Bordalo Pinheiro
O Zé Povinho nasceu como representação crítica e coletiva do povo português. Criado por Rafael Bordalo Pinheiro em 1875, encarnava o cidadão comum: pobre, explorado, mas atento à realidade que o rodeia. Inicialmente vítima passiva, rapidamente se transformou em agente ativo de resistência e comentário político.
Atravessando monarquias, repúblicas, ditaduras e a democracia pós-25 de Abril, o Zé manteve-se presente, reinventando-se nas mais variadas expressões artísticas: da banda desenhada à cerâmica, do teatro às redes sociais. Hoje, continua a ser um símbolo de consciência crítica, cidadania e justiça social — um verdadeiro espelho da alma portuguesa.
Uma exposição com contributos valiosos
O projeto conta com a colaboração de diversas entidades públicas e colecionadores privados, que disponibilizam algumas das peças mais significativas da mostra. Entre eles, destacam-se o Museu da Presidência da República, Museu Bordalo Pinheiro, Museu da Cerâmica, e os colecionadores Isabel Castanheira, Joaquim Saloio, Norberto Correia, Biblioteca Silva, Luís Vilhena e família João Abel Manta.
A exposição contará ainda com um catálogo de 240 páginas, com textos assinados por Jorge Silva, João Alpuim Botelho, Raquel Henriques da Silva e Isabel Castanheira.
Programa paralelo nas Caldas da Rainha
Além da mostra principal no CCC, o evento estende-se a outros espaços da cidade, promovendo o diálogo e a participação crítica:
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Duas mesas-redondas no CCC dedicadas à liberdade de expressão, sátira política e cidadania ativa, com convidados das áreas da ilustração, jornalismo, educação e história;
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Exposições nos três Agrupamentos Escolares das Caldas da Rainha, com conteúdos adaptados ao público jovem;
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Mostra na Biblioteca Municipal, com base no acervo documental da própria biblioteca.
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.





