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“Young Hearts — O Primeiro Amor” estreia hoje nas salas nacionais

A longa-metragem Young Hearts — O Primeiro Amor chega hoje, 26 de Fevereiro, às salas portuguesas, assinalando a estreia em longa-metragem do realizador flamengo Anthony Schatteman.

O filme foi apresentado na secção Generation do Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2024, dedicada a obras sobre juventude, e chega agora ao circuito comercial com a proposta de um retrato sensível do primeiro amor e da descoberta da identidade na adolescência.

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Young Hearts — O Primeiro Amor

Na pequena vila belga onde vive, Elias leva uma vida tranquila até à chegada de Alexander, um vizinho da mesma idade. À medida que a relação entre eles se fortalece, Elias confronta-se com emoções inéditas, iniciando uma trajetória de autoconhecimento marcada pela curiosidade, pela hesitação, pela dúvida e pelo esforço de encontrar aceitação junto da família e dos amigos.

Pelo enquadramento rural e pela delicadeza com que retrata o vínculo entre dois rapazes em plena puberdade, o filme evoca memórias de Close, de Lukas Dhont, mas distingue-se pelo tom afirmativo e luminoso, aproximando-se mais de obras como “Heartstopper” e Love, Simon”, que privilegiam uma abordagem calorosa e esperançosa da descoberta da sexualidade.

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No elenco, Lou Goossens encarna Elias numa composição contida e precisa, apontada como revelação, enquanto Marius De Saeger dá vida a Alexander, personagem simultaneamente segura e vulnerável, catalisando a transformação emocional do protagonista. A equipa inclui ainda Geert Van Rampelberg, Emilie De Roo, Dirk van Dijck, Jul Goossens, Ezra Van Dongen, Olivier Englebert e Olga De Saeger.

Rodado na Flandres Oriental, entre amplos campos e a luz cálida do verão, o filme cria uma atmosfera intimista que acompanha o despertar emocional de Elias. A fotografia luminosa e o ritmo contemplativo intensificam a sensação de suspensão própria da adolescência, período em que cada gesto parece ter peso definitivo.

Um amor sem medo

Em “Young Hearts — O Primeiro Amor”, Anthony Schatteman parte de uma memória íntima para construir uma narrativa de alcance universal.

Em entrevistas, o cineasta explicou ter procurado filmar a história que gostaria de ter visto quando era adolescente, numa altura em que se sentia inseguro em relação à própria sexualidade e não encontrava respostas nem na escola nem em casa. O projecto nasce assim da vontade de oferecer aos jovens um espelho onde o amor não seja motivo de vergonha, mas de reconhecimento.

Esta dimensão pessoal atravessa todo o filme. Schatteman recorda anos de silêncio, escondendo sentimentos por medo da rejeição. Ao escrever o argumento, procurou revisitar esse período e imaginar uma adolescência em que a descoberta do amor pudesse acontecer com menos receio e mais compreensão. A ideia central é simples, mas poderosa: o amor é universal e cada pessoa deve poder seguir o seu coração sem temor.

E esse sentimento já se faz notar, com cerca de 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme tem conquistado elogios pela forma sensível como acompanha os dilemas do crescimento.

A crítica internacional tem destacado esta abordagem estética e ética. David Rooney, do The Hollywood Reporter, descreveu a positividade queer do filme como um verdadeiro bálsamo para jovens LGBTQ+ e para famílias em processo de aceitação, enquanto Boris Bastide, do Le Monde, sublinhou o olhar doce e luminoso com que o filme retrata a descoberta da homossexualidade.

Na Slant Magazine, Diego Semerene apontou-o como uma rara fantasia em que os riscos do amor queer não são dominados pela tragédia, abrindo espaço para imaginar formas diferentes de crescer. Já Robert Daniels, do RogerEbert.com, resumiu-o assim: “Doce e sincero; é fácil acolher este filme, porque entende que crescer é, por natureza, traumático, sem necessidade de exageros dramáticos.”

Brasileiro, Tenório é jornalista, assessor de imprensa, correspondente freelancer, professor, poeta e ativista político. Nomeado seis vezes ao prémio Ibest e ao prémio Gandhi de Comunicação, iniciou sua carreira no jornalismo ainda durante a graduação em Geografia na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), escrevendo colunas sobre cinema para sites, jornais, revistas e portais do Nordeste e Sudeste do Brasil.

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