“The Naked Gun: Aonde é que Para a Polícia?!” Liam Neeson veste as cuecas da herança cómica
Por acaso, ou por alfabeto? De Leslie Nielsen a Liam Neeson, bastou subir uma letra para encontrar o novo Tenente Frank Drebin. Coincidência? Talvez. Mas a missão é clara: só um homem tem o conjunto muito específico de habilidades para liderar o Esquadrão de Polícia… e salvar o mundo (ou pelo menos tentar).

©2025 PAR. PICS.
The Naked Gun: Aonde é que Para a Polícia?! estreia nos cinemas portugueses a 31 de julho, e promete ser a comédia policial mais trapalhona do verão — e, se tudo correr mal, também do outono. Realizado por Akiva Schaffer (Saturday Night Live, Popstar: Never Stop Never Stopping) e produzido pelo sempre irreverente Seth MacFarlane (Ted, Family Guy), o filme é ao mesmo tempo uma homenagem aos clássicos da paródia e uma reinvenção moderna com direito a explosões, disfarces absurdos e crimes que só podem ser resolvidos com muita incompetência.

©2025 PAR. PICS.
Liam Neeson é Frank Drebin Jr., herdeiro de um nome lendário e de uma linhagem de trapalhice policial que faria corar o Inspetor Clouseau. O filho do detetive original herdou o olhar sério, e o talento nato para se disfarçar de candeeiro ou provocar evacuações em locais públicos… sem aviso prévio.
Neeson, conhecido por papéis intensos em filmes como Taken e A Lista de Schindler, entra aqui em território inexplorado: o da comédia auto-paródica. E segundo o próprio, a chave do sucesso foi simples: “Não sou comediante. O meu trabalho é dizer as falas com a maior seriedade possível… mesmo quando estou vestido de palhaço infiltrado numa sauna clandestina.” Resultado? Riso garantido. Ou como dizia Leslie Nielsen: “A chave da comédia é nunca saber que estás numa comédia.”
A escolha de Liam Neeson foi, em parte, uma piada: há anos que o confundem com Leslie Nielsen. Alguns meios chegaram mesmo a anunciar a morte errada quando Nielsen faleceu em 2010. Neeson recorda que, ainda nos anos 90, foi abordado por um fã que lhe perguntou: “Você é o Leslie… Nelson?”. A resposta: “Quase. Liam Neeson.”
Em 2024, Liam tinha 72 anos no momento das filmagens — cinco anos mais velho do que Nielsen quando gravou o último Naked Gun, e dez anos mais velho do que o canadiano era no primeiro. Assumir o legado, portanto, não foi apenas simbólico: foi geriátrico.
E o mais delicioso? Se Frank Jr. fosse mesmo o bebé do final de Aonde é que Pára a Polícia 33 1/3, teria hoje… 31 anos. Liam tem 73. Mas quem conta?
Por isso, o Frank Drebin Jr. de Liam Neeson é um filho perdido, anterior, que o detetive não sabia que tinha. Provavelmente resultado de um interrogatório mais íntimo…

O desenvolvimento de um novo Naked Gun começou ainda em 2009, com um projeto inicialmente pensado para televisão. O título provisório era The Naked Gun 4: Rhythm of Evil, e seguiria o modelo “passar a tocha”, com Frank Drebin a formar um jovem agente. Leslie Nielsen estava a bordo. Mas o projeto ficou na gaveta — e lá ficou até 2018, quando David Zucker revelou que ele e os irmãos Abrahams tinham escrito um guião onde o filho de Drebin se envolvia com a CIA numa paródia de Missão: Impossível, Bourne e os Bond de Daniel Craig. O nome? Primeiro Nordberg Did It, depois Naked Impossible. A Paramount até gostou… até alguém lá em cima implicar com uma piada sobre redução mamária e coletes à prova de bala.
Enquanto isso, a internet especulava: quem é afinal o filho de Frank Drebin? Teria crescido desde o final de Aonde é que Pára a Polícia 33 1/3 (1994)? Afinal…
O Esquadrão está de volta (versão 2.0):
- Beth Davenport (Pamela Anderson): loira fatal, actriz de improviso e musa da tragédia. Está convencida que o irmão foi assassinado, mas quem vai investigar o caso são Drebin Jr. e o seu parceiro de infância. Gosta de bares. Não confia em ninguém com cabelo arranjado.
- Ed Hocken Jr. (Paul Walter Hauser): parceiro inseparável de Frank desde as fraldas e com um apetite por donuts que faz inveja aos Simpsons. Hauser tem 61 anos a menos que George Kennedy, que interpretou o pai na trilogia original. Os genes são adaptativos.
- Nerdberg Jr.: filho do inimitável Detetive Nordberg, agora com mais alergias, gadgets e falhas motoras.
A génese deste reboot/sequela/homenagem auto-consciente começou há quase uma década, quando Neeson e MacFarlane trocaram piadas durante as filmagens de Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas. A ideia foi fermentando até que se juntaram os ingredientes certos: nostalgia dos anos 90, piadas físicas, sátiras a thrillers policiais e uma Pamela Anderson ressuscitada em modo Priscilla Presley 2.0.
“Em vez de parodiar as séries policiais dos anos 70 como o original, fomos atrás dos filmes de ação dos anos 90 e início dos 2000”, explica MacFarlane. “Arma Mortífera, O Caça-Polícias, Speed – Perigo a Alta Velocidade. O nosso objetivo? Levar o público para um universo reconhecível… e virar tudo do avesso. A ideia era pegar na nostalgia e dar-lhe um soco cómico no estômago — seguido de um pedido de desculpa com gelado.”
David Zucker, cocriador da trilogia original, afirmou não querer ver este filme. Tal como aconteceu com Aeroplano II, considera que paródias sem o seu toque são como piadas contadas por IA… (ops!). Curiosamente, foi através da imprensa que descobriu que o filme ia avançar — um final à altura do humor absurdo que ele próprio consagrou.
A origem de The Naked Gun remonta a 1982, com uma série de televisão chamada Police Squad!, criada pelos lendários David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker — o mesmo trio responsável por Aeroplano!. Com apenas 6 episódios, foi uma sátira feroz às séries policiais da altura, como Dragnet, recheada de trocadilhos visuais, absurdos linguísticos e gags em segundo plano (literalmente).
Apesar de hoje ser considerada uma série de culto, Police Squad! foi cancelada rapidamente. O motivo oficial? A ABC alegou que o público tinha de “prestar demasiada atenção para perceber as piadas”. Uma desculpa perfeita para uma comédia onde tudo podia explodir, até uma cadeira de escritório.
Mas o personagem Frank Drebin, interpretado com estoicismo lunático por Leslie Nielsen, sobreviveu à extinção precoce da série. E em 1988, renasceu para o cinema em Aonde é que Pára a Polícia (The Naked Gun: From the Files of Police Squad! — o título já era uma piada à própria origem). O sucesso foi imediato, com duas sequelas e um lugar eterno no panteão da comédia paródica.

©2025 PAR. PICS.
Conclusão: “I’m Lieutenant Frank Drebin – Jr. Police Squad. And it’s a new day.”
A nova geração de paródia policial está prestes a chegar. Entre desastres inofensivos, disfarces absurdos, frases épicas ditas com total seriedade e acrobacias de quem nunca frequentou academia de polícia, Aonde é Que Para a Polícia?! pode muito bem ser o reinicio que ninguém esperava… mas que toda a gente vai adorar recordar (em VHS, se possível).
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

