Superman: O Herói Que Nunca Sai de Cena
Quando pensa em “super-herói”, quem lhe vem primeiro à cabeça?
Talvez o Batman, a patrulhar Gotham. Ou Homem-Aranha, a balançar-se entre os arranha-céus de Nova Iorque. Mas para muitos, a figura primordial é outra: um homem de capa vermelha e olhar nobre, que acredita no bem acima de tudo.
Ele é o Super-Homem — e está de volta ao grande ecrã com Superman, realizado por James Gunn, o novo arquiteto criativo do universo DC. Protagonizado por David Corenswet, esta nova versão promete devolver ao personagem a sua essência: um símbolo de esperança num mundo conturbado.

O nascimento do super-herói original
Criado em 1938 por Jerry Siegel e Joe Shuster, dois filhos de imigrantes judeus, o Super-Homem (ou Superman como agora tem sido vulgarizado) surgiu nas páginas da revista Action Comics #1, marcando o nascimento do género dos super-heróis modernos. A ideia começou ainda no liceu de Glenville, em Cleveland, onde os dois se conheceram por volta de 1932. Influenciados por mitos como Sansão e Hércules, e pelas personagens dos pulps de ficção científica, criaram um campeão com força descomunal e um código moral inabalável.
O contexto pessoal foi decisivo. O pai de Siegel morreu em 1932, após sofrer um ataque cardíaco durante um assalto na sua loja. A mãe faleceu nove anos depois, também do coração. Segundo Bob Greenberger, coautor de Superman: The Definitive History“, Superman foi uma resposta às circunstâncias difíceis, ao antissemitismo e ao desejo de um mundo mais justo. Era um ato de esperança”.
Antes mesmo da publicação de 1938, já tinham experimentado conceitos semelhantes num conto de 1933 intitulado The Reign of the Superman, publicado no seu fanzine Science Fiction. Quando Action Comics #1 chegou às bancas, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o mundo precisava exatamente disso: de um herói — e de um símbolo de esperança.

Um reflexo dos tempos, em cada época
Ao longo dos anos, 11 atores diferentes deram vida ao Super-Homem em projetos de imagem real no cinema e na televisão. Desde os tempos de George Reeves na série dos anos 1950, até ao impacto duradouro de Christopher Reeve, à reinterpretação de Brandon Routh em 2006, à visão sombria de Henry Cavill na última década — e agora com David Corenswet na reinicialização de Gunn.

Mas isso é só parte da história. Mais de uma dúzia de atores deram voz ao herói em séries de animação, videojogos e adaptações radiofónicas. E uma legião de artistas — de Curt Swan a Alex Ross, passando por Frank Quitely e Jim Lee — ilustraram o personagem ao longo de quase 90 anos. A constante? Superman muda com o tempo. E reflete sempre a geração que o imagina.
Como diz David S. Goyer, argumentista de Homem de Aço e cocriador da trilogia O Cavaleiro das Trevas:
“Quando trabalhas com personagens como Batman ou Superman, há 80 anos de histórias, continuidade retroativa e múltiplas interpretações. Não existe um só Superman. As pessoas chegam até ele de formas diferentes.”

Do cinema clássico à reinvenção
Em 1978, Christopher Reeve tornou-se a face definitiva do Super-Homem com Superman: O Filme, de Richard Donner. “Vai acreditar que o homem voa”, prometia o cartaz — e cumpriu. A banda sonora inesquecível de John Williams e os efeitos visuais pioneiros marcaram uma geração. Reeve interpretaria o herói mais três vezes, tornando-se sinónimo da sua dignidade e humanidade.
Em 2006, Bryan Singer tentou recuperar essa aura com Super-Homem: O Regresso, protagonizado por Brandon Routh. O filme era uma sequela espiritual dos dois primeiros filmes de Donner, mas o seu tom nostálgico e o ritmo lento não conquistaram as audiências modernas. Apesar de render 391 milhões de dólares, não teve continuidade.

A resposta viria em 2013, com Homem de Aço, realizado por Zack Snyder, onde Henry Cavill apresentou uma versão mais sombria e introspectiva do herói. A Warner queria competir com o sucesso da Marvel e acelerou a construção de um universo partilhado, nem sempre de forma coesa. O resultado foi uma série de filmes de receção dividida, com o Superman ora ausente, ora reduzido a um símbolo em conflito.

Um novo ponto de partida: o Superman de James Gunn
Agora, James Gunn assume a liderança do novo DC Universe, e o seu Superman é o primeiro filme dessa fase. O realizador de Guardiões da Galáxia promete ação épica, humor e emoção — mas sobretudo, um herói movido pela compaixão e pela crença no bem.
Segundo Gunn:
“Não é o Superman que tem de aprender a ser humano. Somos nós que temos de reaprender a ser bons.”

David Corenswet assume o papel de Clark Kent/Superman, Rachel Brosnahan interpreta Lois Lane e Nicholas Hoult dá vida a Lex Luthor. O elenco conta ainda com a modelo portuguesa Sara Sampaio como Eve Teschmacher, além de Nathan Fillion (Lanterna Verde), Edi Gathegi (Mister Terrific), Isabela Merced (Hawkgirl), e María Gabriela de Faría, Sean Gunn, Skyler Gisondo e Anthony Carrigan.
O filme é visto como a tentativa decisiva da Warner Bros. Pictures de relançar o universo DC no cinema, após anos de inconsistência e sombras deixadas pelo domínio do Universo Cinematográfico Marvel.

O símbolo que nunca se apaga
Num mundo saturado de anti-heróis, cinismo e zonas cinzentas, o Super-Homem continua a representar algo raro: uma bússola moral, um ideal puro. Não mata. Não se vinga. Não se esconde da responsabilidade. Escolhe fazer o bem quando podia fazer o contrário. Não é o mais forte — é o mais decente. O mais inspirador.

Seja nas páginas da banda desenhada, na rádio, na televisão ou no cinema, Kal-El resiste ao tempo porque encarna o que gostaríamos de ser, se tivéssemos poder ilimitado. Num tempo em que os filmes de super-heróis parecem atravessar uma crise de identidade, talvez o caminho seja regressar à fonte. Voltar ao Super-Homem. Porque em 2025 — como sempre — continuamos a precisar dele.
Superman está em exibição nos cinemas, e o Central comics já assistiu. Conheça aqui a nossa análise.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

