Este é o filme português escolhido para a candidatura aos Oscars
O filme Banzo, realizado por Margarida Cardoso e produzido pela Uma Pedra no Sapato, foi escolhido para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Internacional na 98.ª edição dos Prémios da Academia Americana de Cinema, que terá lugar a 15 de março de 2026, em Hollywood.

A decisão resultou da votação entre os membros elegíveis da Academia Portuguesa de Cinema. Além de Banzo, estavam em consideração mais quatro obras: Hanami, de Denise Fernandes (O Som e a Fúria), Os Papéis do Inglês, de Sérgio Graciano (Leopardo Filmes), Sobreviventes, de José Barahona (David & Golias) e Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco (Promenade).
Em comunicado, a Academia Portuguesa de Cinema agradeceu “a todos os membros Permanentes, Temporários, Associados e Honorários que participaram no processo de seleção”, sublinhando que a escolha de Banzo “reconhece o mérito dos demais filmes em competição, que evidenciam a diversidade e a qualidade do cinema português”.
Banzo mergulha na herança do colonialismo português em África, revisitando memórias e cicatrizes históricas através de um olhar contemporâneo. Com uma narrativa intimista e marcada por uma forte componente visual, a obra propõe uma reflexão sobre identidade, dor e memória coletiva.

O filme já conquistou reconhecimento em festivais e instituições internacionais: venceu o Prémio “Árvore da Vida” no IndieLisboa 2024 e foi selecionado para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano nos Prémios Macondo 2025 (Academia Colombiana de Cinema) e nos Prémios Goya 2026 (Academia Espanhola de Cinema).
Sinopse
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Afonso recomeça a vida numa ilha tropical africana como médico de uma plantação, onde terá de curar um grupo de serviçais “infetados” pelo Banzo — a nostalgia dos escravizados. Morrem às dezenas, de inanição ou suicidando-se. Por receio de contágio, o grupo é enviado para um morro chuvoso, cercado por floresta. Ali, Afonso tenta curar os serviçais, mas a incapacidade de entender o que lhes vai na alma revela-se mais forte do que todas as soluções médicas.
Banzo conta com Carloto Cotta, Hoji Fortuna, Rúben Simões, Gonçalo Waddington, Sara Carinhas, João Pedro Bénard, Maria do Céu Ribeiro, Matamba Joaquim, Romeu Runa e Cirila Bossuet, e ainda as participações especiais de Beatriz Batarda e Albano Jerónimo.
Com a escolha de Banzo, Portugal junta-se à lista de países que já anunciaram os seus representantes, enfrentando uma competição de grande peso. Entre os adversários estão a Noruega, com Sentimental Value, vencedor em Cannes; a Costa Rica, com o documentário El monaguillo, el cura y el jardinero (The Altar Boy, the Priest and the Gardener), sobre abusos na Igreja Católica; a Coreia do Sul, vencedora do Oscar por Parasita, que apresenta No Other Choise, de Park Chan-wook; o Egito, com Happy Birthday, premiado em Tribeca; o Equador, com o terror folclórico Chuzalongo; o Japão, com Kokuho, exibido em Cannes; o Azerbaijão, com Taghiyev: Oil; o Camboja, com o terror Edifício Maldito; o Chile, com La misteriosa mirada del flamenco (The Mysterious Gaze of the Flamingo), vencedor da secção Un Certain Regard em Cannes; as Filipinas, com Magalhães, protagonizado por Gael García Bernal; Taiwan, com Left-Handed Girl, escrito e produzido por Sean Baker; e a Papua-Nova Guiné, que participa pela primeira vez na história com Papa Buka.

Também a Ucrânia apresenta o documentário 2000 Meters to Andriivka, premiado em Sundance; a Bélgica, ainda em busca da sua primeira vitória, escolheu Jeunes Mères (Young Mothers), dos irmãos Dardenne; a Tunísia concorre com The Voice of Hind Rajab, coproduzido por Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Rooney Mara e Alfonso Cuarón; o Canadá apresenta The Things You Kill, vencedor de Melhor Realização em Sundance; a Áustria escolheu Pfau (Peacock), com passagem em Veneza; a Tailândia aposta na fantasia A Useful Ghost, premiada em Cannes; a Alemanha apresenta Klang des Fallens (Sound of Falling), também distinguido em Cannes; a Palestina concorre com Palestine 36, confirmado em Toronto; a Bulgária selecionou Tarika, exibido no Festival de Londres; e a Suíça apresenta Late Shift, protagonizado por Leonie Benesch.

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

