Porto/Post/Doc: Come Closer expande o alcance do cinema contemporâneo
O Porto/Post/Doc: Film & Media Festival acaba de lançar o programa Come Closer, uma iniciativa que pretende prolongar a vida dos filmes para lá do momento efémero do festival, levando-os a novos públicos e territórios ao longo de todo o ano. A proposta reforça a circulação de cinema independente e de autor em Portugal e na Galiza, aproximando obras marcantes de comunidades que raramente têm acesso a este tipo de programação.

Pensado para cineclubes, associações culturais, instituições académicas e outros espaços de exibição, o Come Closer nasce com uma vocação de proximidade. O objetivo passa por criar condições para que o cinema contemporâneo, muitas vezes confinado ao circuito festivaleiro, encontre novos contextos de receção e diálogo, promovendo experiências coletivas em torno de temas urgentes e universais.
A seleção inicial reúne 13 filmes, maioritariamente documentários, mas também obras híbridas e ficcionais. No seu conjunto, refletem a linha curatorial do Porto/Post/Doc, marcada por um olhar atento sobre o presente e por uma exigência formal que cruza memória, exílio, território, guerra, resistência e criação artística. Entre os nomes incluídos estão realizadores de reconhecimento internacional como Werner Herzog, Lina Soualem e Nicolas Pereda, ao lado de autores cujas obras dialogam diretamente com realidades contemporâneas e territoriais específicas.

Luís Almeida
Entre os títulos disponíveis encontram-se A Argélia Deles, Bye Bye Tibériade e A Lei da Pedra, bem como propostas recentes como Cartografia das Ondas, Filhos do Meio – Hip Hop à Margem ou Pequena Síria. Alguns destes filmes têm circulação limitada ao território português, refletindo a complexidade dos direitos de exibição, mas também a diversidade de contextos que o programa procura abranger.
O funcionamento do Come Closer assenta numa lógica de acompanhamento próximo. O festival assegura a coordenação operacional, desde a articulação com os representantes dos filmes até à calendarização das sessões, incluindo o apoio técnico necessário. Sempre que possível, são disponibilizadas cópias legendadas em português ou galego, garantindo condições de acessibilidade e adaptação aos diferentes públicos.

Mais do que um simples catálogo itinerante, o Come Closer afirma-se como uma extensão natural do pensamento curatorial do Porto/Post/Doc. Num momento em que o acesso ao cinema independente continua a enfrentar desafios de distribuição e visibilidade, a iniciativa propõe uma resposta sustentada, baseada na criação de redes, na descentralização cultural e na valorização do encontro entre filmes e espectadores.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

