Porto/Post/Doc 2025 destaca Lina Soualem e Andrei Ujică
O Porto/Post/Doc anunciou os dois grandes focos da sua edição de 2025: a cineasta franco-argelino-palestiniana Lina Soualem e o realizador romeno Andrei Ujică. A partir de geografias e percursos distintos, ambos exploram as relações entre memória, história e identidade, propondo um diálogo essencial entre o íntimo e o coletivo, a experiência pessoal e a leitura política do mundo.

Além da exibição integral das suas filmografias, os cineastas apresentarão seleções pessoais de filmes, marcarão presença no Porto em novembro e irão orientar masterclasses sobre os seus processos criativos.

Nascida em Paris em 1990, Lina Soualem é filha de pai argelino e mãe palestiniana. A sua obra interroga as cicatrizes do colonialismo e as histórias silenciadas pela diáspora, revelando-as através de narrativas de amor, exílio e pertença. O programa inclui as longas A Sua Algéria (2020) e Bye Bye Tibériade (2023), distinguidas internacionalmente, a série Oussekine (2022), uma carta branca com obras de cineastas contemporâneos e ainda a curadoria da secção Cinemateca Ideal dos Subúrbios do Mundo.

Já o foco dedicado a Andrei Ujică (Timișoara, 1951) sublinha o papel decisivo do cineasta na reflexão sobre o poder das imagens e dos media na construção da memória coletiva. Autor de títulos fundamentais como Videogramas de uma Revolução (1992, em colaboração com Harun Farocki), Fora do Presente (1995) e A Autobiografia de Nicolae Ceaușescu (2010), Ujică regressa em 2024 com TWST: Coisas Que Dissemos Hoje. O programa recupera ainda Quantidade Desconhecida (2005) e curtas como 2 Pasolini (2000), completando uma retrospetiva integral acompanhada por uma carta branca.

O Porto/Post/Doc 2025 decorrerá entre 20 e 29 de novembro. Já tinha sido anunciado o programa temático “O Tempo de Uma Viagem”, que propõe uma leitura contemporânea do ato de partir — não como mero motivo narrativo, mas como estrutura que define as sociedades atuais.
O foco em Lina Soualem é apoiado pelo Ministère de l’Europe et des Affaires étrangères e pelo Institut Français, no âmbito do dispositivo PICC de promoção internacional das indústrias culturais e criativas.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

