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Óscares em Renovação: Das Categorias Perdidas ao Melhor Casting

Com a introdução da nova categoria dos Óscares para Melhor Casting na edição de 2026 dos Prémios da Academia, a história da cerimónia volta a demonstrar que a gala das estatuetas douradas está em constante transformação. Ao longo de quase um século, diversas categorias foram criadas para reconhecer áreas específicas do cinema, muitas das quais acabaram por desaparecer à medida que a indústria evoluiu.

O Agente Secreto
“O Agente Secreto” está nomeado para Melhor Casting


Algumas duraram apenas um ano, outras mantiveram-se durante décadas. Hoje são curiosidades históricas que ajudam a perceber como o cinema e as suas profissões mudaram ao longo do tempo.

Na primeira edição dos Óscares, em 1929, existiam duas categorias distintas de realização: Melhor Realização – Comédia e Melhor Realização – Drama. A Academia quis distinguir os diferentes desafios de dirigir cada género. Nessa cerimónia, Lewis Milestone venceu na vertente de comédia com Dois Cavaleiros Árabes, enquanto Frank Borzage foi premiado na categoria dramática por A Hora Suprema. A divisão durou apenas um ano e, já em 1930, os prémios foram fundidos numa única categoria de realização.

Poucos anos depois, em plena era dourada dos musicais de Hollywood, surgiu a categoria Melhor Direção de Dança, criada em 1935 para distinguir a coreografia e encenação de números de dança no cinema. Entre os vencedores estiveram coreógrafos como Hermes Pan, conhecido pelo seu trabalho em filmes protagonizados por Fred Astaire. No entanto, a distinção desapareceu em 1937, numa altura em que a popularidade dos grandes números musicais começou a diminuir e surgiram críticas de organizações profissionais ao uso do termo “direção”.

Também em 1933 foi criado o prémio Melhor Assistente de Realização, pensado para reconhecer o trabalho essencial destes profissionais nos bastidores das filmagens. Os assistentes de realização são responsáveis por coordenar equipas, horários e logística de produção. Nos primeiros anos chegaram a ser distinguidos vários profissionais em simultâneo, mas a categoria acabou por desaparecer em 1937, à medida que a função se foi dividindo em diferentes cargos no plateau. Curiosamente, alguns grandes realizadores começaram a carreira neste papel, como Alfred Hitchcock.

O Feiticeiro de Oz
O Feiticeiro de Oz

Entre 1934 e 1960 existiu ainda o Prémio Juvenil da Academia, um Óscar especial destinado a jovens atores que se destacavam no cinema. O prémio não era atribuído todos os anos, apenas quando a Academia considerava que um desempenho infantil merecia reconhecimento. A primeira vencedora foi Shirley Temple, e entre os distinguidos esteve também Judy Garland pelo trabalho em O Feiticeiro de Oz. O troféu era uma versão mais pequena da estatueta tradicional.

Outra distinção curiosa foi o Prémio Especial de Realização Técnica, criado em 1972 para reconhecer conquistas extraordinárias que não se enquadravam nas categorias existentes. Ao longo dos anos premiou várias inovações técnicas, como o design de som revolucionário de Ben Burtt em A Guerra das Estrelas ou o avanço da animação digital liderado por John Lasseter em Toy Story – Os Rivais. O prémio deixou de ser atribuído regularmente em 1995, embora tenha regressado pontualmente em 2017 para distinguir uma experiência de realidade virtual criada por Alejandro González Iñárritu.

Já na década de 1990, a Academia experimentou dividir a música de cinema em diferentes categorias e criou Melhor Banda Sonora Original – Comédia ou Musical. A intenção era dar maior visibilidade a composições para filmes mais leves ou musicais. A experiência foi breve e durou apenas entre 1995 e 1998. Entre os vencedores esteve Anne Dudley pela música de Ou Tudo ou Nada, antes de a Academia voltar a reunir todas as bandas sonoras numa única categoria.

 
“Exército dos Mortos” veneceu o único Oscar para Filme Favorito dos Fãs

Nos últimos anos, a Academia também testou outras ideias para renovar os Óscares. Em 2018 foi anunciada a categoria Melhor Filme Popular, pensada para distinguir produções de grande sucesso de bilheteira. A iniciativa acabou por ser abandonada após fortes críticas da indústria, que considerou que poderia diminuir o prestígio da cerimónia. Já em 2022 houve uma experiência única com o prémio Filme Favorito dos Fãs, decidido por votação do público online. A iniciativa não se tornou uma categoria oficial, mas mostrou a tentativa da Academia de aproximar os Óscares do público e das novas formas de participação digital.

“Hamnet” é um dos cinco filmes nomeados para Melhor Casting

Depois de décadas praticamente sem mudanças, os Prémios da Academia preparam-se para voltar a expandir a lista de categorias. Nesta edição foi introduzido o prémio de Melhor Casting, mas essa não será a única novidade no horizonte. Já está confirmada a criação do Óscar de Melhor Design de Duplos, que fará a sua estreia na 100.ª cerimónia, em 2028.

Profissão: Perigo
Profissão: Perigo

A futura distinção pretende reconhecer o trabalho criativo das sequências de ação no cinema. O projeto foi defendido durante vários anos pelo realizador e antigo duplo David Leitch, responsável por filmes como Profissão: Perigo, protagonizado por Ryan Gosling e Emily Blunt. A intenção é premiar não apenas um momento específico de ação, mas o processo criativo de conceber e desenhar sequências de duplos que ajudam a contar a história e a construir as personagens. As regras da nova categoria deverão ser anunciadas em 2027, marcando mais um passo na tentativa da Academia de reconhecer áreas do cinema que, durante décadas, ficaram fora da corrida aos Óscares.

Oscar

A cerimónia volta a adaptar-se ao presente, provando que até a tradição mais antiga de Hollywood continua em constante mudança.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

One thought on “Óscares em Renovação: Das Categorias Perdidas ao Melhor Casting

  1. Sim, é interessante ver como os Óscares sempre tentam acompanhar as novas tendências do cinema. A adição da categoria de Melhor Casting parece uma boa forma de reconhecer o trabalho dos atores e da equipa de elenco.

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