Longe e O Deus Selvagem são novidades Ala dos Livros
“Longe”, de Alicia Jaraba e Déborah I. Villahoz e “O Deus Selvagem”, de Fabien Vehlmann e Roger, são as mais recentes novidades de banda desenhada da Ala dos Livros.
Longe
«É possível viver a dois quando não sabemos viver connosco próprios?»
Ulysse e Aimée, um casal na casa dos trinta, viajam para o sul da Espanha numa carrinha com o objectivo de irem efectuar mergulho a Cabo de Gata.
Mas serão estas as férias de Verão perfeitas? Nem por isso… pois o casal atravessa uma fase de relacionamento difícil e entre ambos nem tudo é cor-de-rosa.
Depois de um ano complicado, Ulysse precisa de novas aventuras, mas também de se reencontrar, principalmente através do mergulho, que encara como forma de terapia. Aimée, por seu turno, depois de ter trabalhado durante um ano na sua tese, sente-se perdida e culpabiliza-se por não ter estado suficientemente disponível para o seu parceiro.
Ulysse sonha em ver um peixe-lua no seu habitat natural; Aimée tem fobia da água. No entanto, cede ao parceiro e aceita efectuar esta viagem, decidindo calar os seus medos.
Mas à medida que o casal se aproxima do Cabo de Gata, a tensão e a ansiedade aumentam.
E a pergunta impõe-se: é possível viver a dois quando não sabemos viver connosco próprios?
“Longe”, a obra mais recente de Alicia Jaraba e que a Ala dos Livros edita agora em Portugal, é um “road-movie” intimista, que nos fala sobre o medo de se sair da zona de conforto e da inércia de um relacionamento longo, cujo rumo já não se controla.
Alicia Jaraba (1988 – )
Natural de Vigo, Espanha, Alicia Jaraba estudou Línguas e Literatura Espanhola e Francesa na Universidade de Santiago de Compostela durante 7 anos, sem, no entanto, se ter afastado nunca do desenho, a sua grande paixão desde muito nova. Depois de ter concluído os estudos universitários, frequentou a ESDIP (Escola Superior de Desenho Profissional) em Madrid, na qual, durante um ano, estudou a nova arte, o que lhe permitiu tornar-se autora de BD.
Entre 2017 e 2019, Alicia Jaraba assina a série juvenil “Les Détectives du surnaturel” (Jungle Editions) e os dois tomos de “L’Onde Dolto” (Delcourt). Em2020, lança-se na escrita do seu primeiro álbum “Celle qui parle” (Grand Angle), cuja publicação teve recepção calorosa por parte da crítica e do público
Longe (Loin, no original), que a Ala dos Livros edita agora em Portugal, é a sua segunda obra para esta editora francesa, reafirmando Alicia Jaraba como uma das autoras mais promissoras da nova geração de autores espanhóis.
Características:
- LONGE
- Argumento e Desenho: Alicia Jaraba
- Cor: Déborah I. Villahoz
- Tradução: Helena Romão
- 144 páginas. cor
- Cartonado. 210 x 285 mm
- Março de 2026. Ala dos Livros
- PVP: 27,50 €
- ISBN: 978-989-9108-82-0
O Deus Selvagem
Viaje até à era longínqua do Dilúvio, aquela insinuada em todos os textos antigos da humanidade… Nesses tempos de fome, um jovem macaco órfão procura provar o seu valor ao seu clã adoptivo, caçando um velho jacaré ferido e cruel. Comer ou ser comido: o ciclo imutável da natureza. Mas ao ousar aventurar-se no coração das terras proibidas, as dos humanos, ele enfrentará o mais cruel dos destinos: ver o seu próprio povo massacrado diante dos seus olhos antes de ser capturado e treinado nas arenas do Império para se tornar um “Deus-Selvagem”, um guerreiro sagrado moldado para a violência e a arte do combate.
Mas são sobretudo esses longos anos de sofrimento que alimentarão nele uma obsessão ardente: a vingança contra os seus captores, custe o que custar.
Um conto de som e de fúria, imbuído de poesia feroz, “O Deus Selvagem” traça o retrato de uma civilização subitamente confrontada com a perspectiva da sua própria extinção. Este álbum emocionante revela e transmite a violência da natureza, o calor sufocante, o zumbido dos insectos, os gritos de raiva e as lágrimas de desespero dos protagonistas, captando poderosamente o incessante bailado que entrelaça a vida e a morte, o reino animal e a humanidade. Afinal, quem é o verdadeiro herói desta história? O homem ou… o animal?
Uma obra magistralmente construída, escrita por Fabien Vehlmann e sustentada pelos espetaculares desenhos de Roger. A edição da Ala dos Livros, apresenta esta obra no esplendor do seu traço a preto e branco, incluindo ainda um caderno de esboços a cores.
Fabien Vehlmann (1972 – )
Fabien Vehlmann nasceu em 1972, em Mont-de-Marsan, na região de Landes, em França. Três anos depois, mudou-se para Savoie, onde passou uma infância “realmente óptima”, um equilíbrio harmonioso entre introversão — adorava inventar jogos sozinho — e sociabilidade — adorava estar com os amigos. “Tive sorte, os meus pais deixavam-me brincar, em vez de me obrigarem a trabalhar desde cedo no jardim de infância.”
Por volta dos seis anos, começou a desenhar histórias e preenchia os quadradinhos com esboços em estilo taquigráfico. Descobriu um talento para entreter, que se sentiu compelido a cultivar, até perceber que também tinha o direito de ficar triste. Após concluir o ensino médio, Vehlmann decidiu que trabalhar com banda desenhada não era uma carreira viável. Matriculou-se na Escola Comercial de Nantes, trabalhou com marketing de brinquedos e formou-se em 1995.
Objector de consciência, trabalhou como administrador numa trupe de teatro. “Era como estar no meio de uma pastelaria sem poder comer os bolos: eu só vivia os aspectos aborrecidos da criação!” Apesar de tudo, fez duas ou três curtas-metragens com os actores e estreou-se na rádio numa estação local.
Em 1996, a revista ‘Spirou’ organiza um concurso de escrita de argumentos para o qual era preciso enviar quatro páginas. Vehlmann envia quarenta… o que o deixa à margem do concurso. Recebe, no entanto, uma resposta – “Pode fazer melhor” – a qual o galvaniza pois é, mesmo assim, uma resposta. Com vista a “fazer melhor”, lança-se noutra BD que envia para a mesma ‘Spirou’. E a resposta: “Ainda não é isso.” O jovem faz então uma aposta: em vez de procurar um emprego, vai ficar na casa dos pais durante um ano para escrever banda desenhada. “Eu tive sorte, os meus pais aceitaram. Sempre tive muita sorte, quero dizer.” Desta vez, ‘Spirou’ gosta e compra as suas páginas.
Depois, tudo avança: publica, com Denis Bodart, o álbum que irá lançá-lo, o primeiro da série “Green Manor” (Dupuis, 2001), e conhece Gwen de Bonneval no atelier des Vosges. Os dois autores associam-se e é assim que, em 2001, nasce a excelente série filosófico-humorística “Samedi et Diamanche” (Dargaud, “Poisson Pilote”).
Em 2002, Vehlmann inicia “Marquis d’Anaon” (Dargaud), uma série muito mais negra desenhada por Matthieu Bonhomme, e que prova a diversidade de seu talento. Para Ralph Meyer, ele escreve “IAN” (Dargaud), sobre o tema da inteligência artificial.
Em 2004, Fabien Vehlmann recebe o prémio Jacques-Lob.
Em 2006, inicia a série de sucesso “Seuls” (Dupuis), posta em imagens por Bruno Gazzotti. O primeiro volume é premiado no Festival de Angoulême, na categoria Juventude. No mesmo ano, assinou, com Yoann, “Les Géants pétrifiés”, primeiro one shot da série “Une aventure de Spirou et Fantasio par…” (Dupuis). Continua também a sua colaboração com o desenhador Frantz Duchazeau: “La nuit de l’Inca” (Dargaud, entre 2003 e 2006) ; “Les Cinq Conteurs de Bagdad” (Dargaud, 2006) ; “Dieu qui pue ; dieu qui pète” (2006, Milan). Seguir-se-á “Le Diable amoureux et autres films jamais tournés par Méliès” (Dargaud, 2010).
Durante algum tempo, andou pelo cinema (“Un monde à nous” [2006], dirigido por Frédéric Balekdjian) e nos desenhos animados (a série “Avez-vous déjà vu?” [2006], produzida por Alain Chabat e dirigida por Piano e Gark), mas decide dedicar a maior parte do seu tempo à banda desenhada, na qual afirma encontrar muito mais liberdade de escrita do que no audiovisual.
Em 2007, trabalha com o desenhador Sean Phillips no primeiro volume da série “Sept” (Delcourt).
Em 2009, Vehlmann e Yoann tornam-se os autores da série de culto “Spirou et Fantasio”, sucedendo assim a Jean David Morvan e José-Luis Munuera. Um ano depois sai o volume 51, “Alerte aux Zorkons” (Dupuis).
Excepcional contador de histórias, Vehlmann volta a surpreender com “Le dernier Atlas”, saga realizada com Gwen de Bonneval, Hervé Tanquerelle e Fred Blanchard, série cujo primeiro volume obtem o Prix René Goscinny para o melhor argumento, bem como o Prix graphique ActuSF.
Actual argumentista da série “Spirou & Fantasio”, que conta com desenho de Yoann, Fabien Vehlmann sucedeu a uma linha de autores de prestígio, não deixando, no entanto, de criar e de seguir uma linha de argumento própria.
Fabien Vehlmann também está envolvido na revista digital ‘Professor Ciclope’.
Em 2025 recebe, com Roger, o Éléphant d’Or do CHMS (Centre Hospitalier Métropole Savoie), atribuído à obra “O Deus Selvagem”.
Roger (1977 – )
Nascido em Barcelona em 1977, Roger Ibáñez Ugena estudou banda desenhada na Escola Joso. Em 1993, realiza várias histórias humorísticas curtas (argumento de A. García) para o fanzine «GÑ» e, em 1994, vence o primeiro concurso de manga da Norma Editorial que publica na sua revista manga «Otaku» várias das suas histórias curtas (argumento de R. González).
Para as edições Cameleon, desenha no periódico «Sukube» (N. Peris) e produz «Hiromi» (A. García).
De 1999 a 2001, assinou 14 bandas desenhadas na revista «Penthouse Comix» das edições El Jueves. Sob o pseudónimo de Nono, faz também BDs para várias revistas eróticas americanas, incluindo «Sizzle» (NBM).
Em 2002 e 2003, com argumento de Raule, publica «Hole’n Virgin», «Amores muertos» e «Cabos sueltos» nas edições Amaníaco. Apresentada no Salon de la BD de Barcelona, esta última realização seduz o argumentista J.D. Morvan («Al Togo» – «Reality Show») que a submete à Dargaud.
Daí nasce, no Festival de Angoulême 2004, o projeto do tríptico «Jazz Maynard». O primeiro desses 3 álbuns foi lançado em junho de 2007 e um one-shot em 2010. O ano de 2015 anuncia o retorno de Jazz Maynard às terras do Extremo Norte.
Em 2025 recebe, com Fabien Vehlmann, o Éléphant d’Or do CHMS (Centre Hospitalier Métropole Savoie), atribuído à obra “O Deus Selvagem”.
Características:
- O Deus Selvagem (Edição Especial)
- Argumento: Fabien Vehlmann
- Desenho e cor: Roger
- Tradução: Ricardo Magalhães Pereira
- 128 páginas. Preto e branco e dossier a cores
- Cartonado, lombada em tecido.
- 245 x 330 mm
- Fevereiro de 2025. Ala dos Livros
- PVP: 35,00 €.
- ISBN: 978-989-9108-76-9
E para não perderes nada sobre o Central Comics no Google Notícias, toca aqui!
Além disso, podes seguir também as nossas redes sociais:
Twitter: https://twitter.com/Central_Comics
Facebook: https://www.facebook.com/CentralComics
Youtube: https://www.youtube.com/CentralComicsOficial
Instagram: https://www.instagram.com/central.comics
Threds: https://www.threads.net/@central.comics
Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.







