Lançamento BD: HP, de Guido Buzelli
HP, de Guido Buzzelli, é uma BD de ficção científica pós-apocalíptica que retrata uma sociedade futurista marcada pelo controlo e pela repressão.
Uma visão pós-apocalíptica nascida da ficção científica clássica
Desde muito jovem, Guido Buzzelli demonstrou uma forte ligação à ficção científica, influenciado pelas leituras iniciais de Flash Gordon, o icónico herói criado por Alex Raymond, uma das figuras maiores da banda desenhada norte-americana. Essa fascinação por universos distantes e realidades alternativas acompanhou o autor ao longo de toda a sua vida artística.
A obra HP foi originalmente desenvolvida entre 1973 e 1974, com argumento de Alexis Kostandi, inserindo-se plenamente no imaginário crítico e distópico que caracteriza grande parte da produção de Buzzelli. A narrativa decorre num mundo pós-atómico, devastado pela guerra, onde pequenos grupos de sobreviventes rebeldes subsistem através da caça e do saque dos destroços deixados pelo conflito.
No centro da história encontra-se um elemento inesperado: um cavalo, que se cruza com um grupo de pessoas que tenta sobreviver num acampamento situado nas proximidades de uma cidade ultra-moderna. Este centro urbano avançado é governado por uma oligarquia dominada por militares e cientistas, protegida por barreiras defensivas altamente sofisticadas.
Os dirigentes da cidade exercem um controlo rigoroso sobre a população, combatendo e reprimindo todos aqueles que ousam abandoná-la. Os rebeldes, vistos como uma ameaça à ordem estabelecida, tornam-se alvos constantes de perseguição, num retrato sombrio de uma sociedade onde o progresso tecnológico anda lado a lado com a opressão.
Guido Buzzelli: um mestre da banda desenhada italiana
Guido Buzzelli nasceu em 1927, em Roma, e é hoje amplamente reconhecido como um dos grandes mestres da banda desenhada italiana. Proveniente de uma família ligada às artes, frequentou ainda jovem cursos artísticos na Accademia di San Luca, onde consolidou a sua formação estética.
Iniciou a carreira profissional aos 18 anos, colaborando com a revista semanal Argentovivo. Embora se tenha dedicado inicialmente à pintura, realizando várias exposições, acabaria por regressar aos fumetti, meio onde alcançou reconhecimento internacional.
Em 1966, criou La Rivolta dei Racchi, obra apresentada no ano seguinte no Festival de Banda Desenhada de Lucca. O verdadeiro impacto surgiria em 1970, após a sua publicação em França na revista Charlie Mensuel, por iniciativa do editor-chefe Georges Wolinski. O sucesso foi imediato e deu origem a uma longa colaboração com algumas das mais importantes revistas francesas do sector, como Pilote, Circus, L’Écho des Savanes, Métal Hurlant e À Suivre.
Ao longo das décadas seguintes, Buzzelli produziu um vasto conjunto de obras marcadas por uma forte crítica ao sistema social e político, entre as quais se destacam I Labirinti (1968), Zil Zelub (1971), Annalisa e il Diavolo (1973), L’Intervista (1975), L’Agnone (1977) e La Guerra Videologica (1978).
Colaborou igualmente com diversos argumentistas, assinando obras como Nevada Hill (1974), com argumento de Jean-Pierre Gourmelen, HP (1974), com Alexis Kostandi, e Morganna (1980), com argumento de Daniela Vianello.
Guido Buzzelli faleceu em 1992, em Roma, aos 64 anos, deixando um legado incontornável na história da banda desenhada europeia.
PVP: 22€
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.





Parece uma leitura muito interessante, com a temática de ficção científica a sempre me atrair.