Kevin Feige revela futuro da Marvel Studios
Kevin Feige, o presidente da Marvel Studios, voltou a falar com franqueza sobre o futuro do universo cinematográfico que ajudou a transformar num fenómeno global. Enquanto promove a estreia de O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos — o 37.º filme do UCM (Universo Cinematográfico Marvel) — Feige reconheceu os erros do passado, confirmou mudanças de fundo e revelou o esboço de um novo ciclo que se estende até 2032.

Feige rejeita a ideia de que o público está a sofrer de “fadiga de super-heróis”. O sucesso do novo Superman da DC — que já ultrapassou os 400 milhões de dólares de receita nos cinemas de todo o Mundo— é a prova, segundo ele, de que o interesse continua. O problema? “Foi a quantidade a sobrepor-se à qualidade”, disse Feige. “Passámos 12 anos a garantir que isso nunca nos aconteceria… e depois aconteceu.”
Após Vingadores: Endgame, a Marvel multiplicou os seus projetos, especialmente através da Disney+, levando a uma dispersão de recursos e ao enfraquecimento da ligação com o público. Enquanto a Saga do Infinito teve apenas três filmes que não ultrapassaram os 500 milhões de dólares, sete dos treze filmes lançados desde a pandemia ficaram abaixo dessa marca.
Apesar da boa receção crítica de Thunderbolts, o filme arrecadou “apenas” 380 milhões globalmente. Feige atribui parte dessa falha ao excesso de ligações ao conteúdo televisivo: “O público pensa que tem de ver tudo para perceber um filme. E não devia ser assim.”
Ainda assim, Jake Schreier — realizador de Thunderbolts — foi confirmado como o responsável pelo aguardado reinício dos X-Men, um projeto que promete ser mais focado num público jovem e em histórias clássicas da banda desenhada.
Feige também confirmou que Avengers: Secret Wars, previsto para 2027, encerrará a atual Saga do Multiverso e servirá como um reinício total do UCM, abrindo espaço para um novo elenco e novos começos.

A Marvel irá abrandar significativamente a produção de séries: no futuro, haverá no máximo uma série em imagem real por ano, e com menor interligação com os filmes. “Vamos deixar que uma série seja apenas isso: uma série”, afirmou Feige, referindo-se aos tempos de Daredevil e Jessica Jones na Netflix.
Como exemplo, confirmou que os acontecimentos finais de Thunderbolts — que afetam Nova Iorque — não terão impacto direto na segunda temporada de Daredevil: Born Again.

Feige garantiu que a diversidade continuará a ser uma prioridade. Desde Black Panther até As Marvels, a Marvel apostou fortemente em protagonistas diversos. Contudo, com o corte de produção, o futuro de muitas dessas personagens é incerto.
Questionado sobre o regresso de personagens como Ms. Marvel, ou mesmo a possível introdução de Miles Morales, Feige respondeu com naturalidade: “A Marvel representa o mundo fora da tua janela… e Iman Vellani é uma das melhores escolhas de casting que alguma vez fizemos. Mal posso esperar para a ver de novo.”

A trajetória de Kang, o vilão destinado a ser o novo Thanos do UCM, terminou abruptamente após a condenação judicial de Jonathan Majors por agressão. O projeto inicialmente intitulado Avengers: The Kang Dynasty foi rapidamente reformulado e rebatizado como Avengers: Doomsday. E com essa mudança veio uma surpresa para os fãs: o regresso de Robert Downey Jr., desta vez não como Homem de Ferro, mas como o icónico vilão Doctor Doom.
Este reposicionamento marca uma viragem no tom da saga e reforça a aposta em figuras já consagradas para liderar a nova fase do universo Marvel. Quanto a outros nomes que têm pairado no ar — como Charlize Theron e o regresso dos Eternos — Feige mantém-se cauteloso, mas não descarta possibilidades futuras. “São personagens com muito potencial ainda por explorar”, deixou escapar.

Apesar de ser uma marca sinónima de Hollywood, os próximos grandes capítulos do UCM acontecem… deste lado do Atlântico. Avengers: Doomsday e Secret Wars, dois dos títulos mais esperados da saga atual, estão a ser produzidos nos estúdios Pinewood, em Londres — juntando-se à crescente lista de sucessos norte-americanos que escolhem o Reino Unido como base de operações.
Kevin Feige esclareceu que a decisão não foi apenas motivada pelos generosos incentivos fiscais britânicos, mas sim por uma questão de espaço. “Houve uma altura em que todos lutavam por estúdios. Com a explosão de produção durante a era do streaming, garantir Pinewood foi estratégico”, explicou.
Ainda assim, Feige antevê um regresso aos EUA no futuro, com destaque para estados como Geórgia e Nova Iorque, onde os incentivos à produção cinematográfica são mais competitivos do que na própria Califórnia. Curiosamente, uma exceção recente foi Wonder Man, série passada e filmada em Hollywood.

Num gesto simbólico, Feige apontou para uma parede trancada na sede da Marvel, onde guarda os planos para os próximos sete anos. “Tradicionalmente, planeávamos cinco. Agora vamos até 2032”, revelou.
Com menos produções, maior planeamento e a promessa de um reinício que equilibre legado e inovação, a Marvel parece estar pronta para deixar para trás os excessos do passado — e preparar o início de uma nova era.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

