Central Comics

Banda Desenhada, Cinema, Animação, TV, Videojogos

“Ice Merchants” em exibição no Museu Studio Ghibli

Ice Merchants, a curta-metragem de animação realizada por João Gonzalez acaba de alcançar um dos momentos mais simbólicos do seu percurso internacional: a exibição no Museu Studio Ghibli, em Tóquio, uma das instituições mais prestigiadas do mundo dedicadas ao cinema de animação.

Ice Merchants

Para qualquer autor, ver o seu filme projetado num espaço associado ao imaginário criado por Hayao Miyazaki é mais do que um reconhecimento artístico. É um gesto de consagração cultural. Para João Gonzalez, é também a confirmação de um percurso que tem unido talento, persistência e uma estratégia sólida de internacionalização.

A presença no museu surge na sequência da vitória no Tokyo Anime Award Festival, em 2024, onde a curta conquistou o Grande Prémio e o Prémio do Governador de Tóquio, distinções máximas do certame. A receção calorosa no Japão reforçou o impacto global de uma obra que tem emocionado públicos muito para lá das fronteiras portuguesas.

Em 2026, Ice Merchants regressa a Tóquio para uma exibição aberta ao público, marcada para 7 de março no Mitaka City Arts Center, integrada no Mitaka Animation Festival, evento dinamizado pelo Museu Studio Ghibli.

Desde a estreia internacional, em 2022, Ice Merchants construiu um percurso verdadeiramente ímpar. Soma 420 seleções oficiais, 5 207 exibições e 151 prémios, números que o consolidam como o filme português mais premiado de sempre. Entre os marcos históricos destaca-se a nomeação para o Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação na Academy Awards, feito inédito para o cinema português.

A obra foi também distinguida em festivais de referência como o Festival de Cannes, o Annie Awards e integrou a lista de nomeados aos Prémios do Cinema Europeu, reforçando a sua posição como referência no panorama da animação contemporânea.

Ice Merchants

Coproduzido pela COLA Animation, pela Wildstream e pelo Royal College of Art, o filme retrata a relação delicada entre um pai e um filho que vivem numa casa suspensa numa montanha gelada, saltando diariamente de paraquedas para vender gelo na aldeia lá em baixo. Sem recorrer a diálogos, a força visual e emocional da narrativa cria uma ligação imediata com o espectador, independentemente da língua ou da cultura.

Apesar de não ter regressado a Portugal com a estatueta dourada, a nomeação ao Óscar colocou definitivamente o cinema de animação português no mapa mundial. Ao longo de um ano particularmente intenso, João Gonzalez, Bruno Caetano e a equipa da COLA Animation, em articulação com a Agência da Curta Metragem, desenharam uma estratégia internacional que se revelou exemplar.

Os números ajudam a contar a história, mas não substituem o essencial: a emoção de milhares de espectadores que se reconheceram naquele pai e naquele filho suspensos sobre o vazio. Em Portugal, a curta aproxima-se dos 10 mil espectadores em sala. No mundo, ultrapassou os 200 mil. Está também disponível no videoclube dos operadores nacionais de televisão e em plataformas de streaming, prolongando a sua vida para além do circuito de festivais.

A exibição no Museu Studio Ghibli representa mais um capítulo de uma viagem que ainda não terminou. Para João Gonzalez, é a confirmação de que uma história simples, contada com sensibilidade e rigor artístico, pode atravessar oceanos e tocar corações em qualquer latitude.
E, com ele, vence também o cinema português.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights