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Cinema: Crítica – The Super Mario Galaxy – O Filme

Análise ao filme The Super Mario Galaxy – O Filme, explorando a adaptação do universo do jogo, a narrativa, o visual e o impacto junto dos fãs.

As adaptações de videojogos, para o cinema e TV, têm progressivamente se afastado do fantasma que as atormentava durante toda a sua existência. Seja por ser pouco fidedigno ao material original ou mudar o género e temática daquela do jogo ou até de ignorar o lore. Estas são algumas das frases que se tornaram um lugar-comum no discurso coletivo, algo que só há meia dúzia de anos parece ter sido invertido, tanto em live-action, como em animação. 

Super Mario Galaxy - O Filme

Super Mario Bros. O Filme (2023) foi um desses exemplos da mudança pela positiva. Conseguiu trazer o espírito dos jogos do canalizador, da caracterização visual e sonora ao próprio argumento, e conseguindo ainda entregar um filme que agradou, inclusive, ao público casual leigo, comprovado pelo estrondoso sucesso comercial verificado naquele ano. Com todas as bases criadas, a sequela teria apenas de expandir e aprofundar a imersão e histórias dentro daquele que é o maior e mais extenso universo da Nintendo

The Super Mario Galaxy – O Filme apresenta-se como uma espécie de transposição da duologia de jogos de mesmo nome, lançados originalmente na Nintendo Wii (e com versões disponíveis na consola mais recente da empresa). E, como seria de esperar, o resultado final é na realidade, uma fusão de tudo aquilo que Super Mario tem da sua identidade, dos mais variados jogos, antigos e recentes. A premissa coloca os nossos heróis a viajar para a além da fronteira do espaço, na tentativa de resgatar Rosalina (Brie Larson), a princesa do cosmos, do temível e pequeno Bowser Jr. (Benny Safdie), com sede de vingança provocada pela prisão do seu pai na longa-metragem anterior. Havendo ainda a presença do adorável Yoshi, um favorito na cultura pop, que é a mascote desta continuação e alvo dos momentos mais bem humorados. 

Super Mario Galaxy - O Filme
Super Mario Galaxy – O Filme

Este ponto de partida abre a caixa de pandora e permite à Illumination e à Nintendo, ambas envolvidas na produção do filme, de disparar em todos os sentidos possíveis. Enquanto que o primeiro se manteve contido, na tentativa de apresentar somente o essencial no que diz respeito a Mario, Luigi, Peach e Bowser, num filme narrativamente mais coeso por isso. Neste, sem quaisquer amarras introdutórias, viajamos para planetas distantes, para reinos oriundos de Odyssey, exibindo-se poderes da subsérie New Super Mario Bros. passado ainda pelo clássico esquecido Super Mario Bros. 2 até ao mais recente Wonder. Esta inundação de jogos e referências permite à Nintendo exibir o catálogo completo do personagem, sem quaisquer contrapesos.

Em certos momentos, caímos na realidade, e vemos que esse sempre fora o objetivo principal destas adaptações: mais pessoas interessadas em comprar os jogos, não nos iludamos, quanto a esse propósito. Não que isto me surpreenda, mas neste caso, ao contrário do anterior, onde havia um equilíbrio, aqui esta injeção de conteúdo variado compromete a narrativa e a tentativa de desenvolver além daquilo que já tínhamos visto. As personagens, nos jogos, sempre foram unidimensionais, e na primeira adaptação, a Nintendo parecia querer ir para novos horizontes, algo que esta sequela veio comprovar o oposto.

Super Mario Galaxy - O Filme

Ainda assim, surpreendi-me pela ligação de Bowser Jr. com o seu pai, onde há espaço para alguns momentos emocionais genuínos, ainda que escassos e perdidos na enchente de referências e alusões que somos constantemente bombardeados. A propósito disso, esta continuação não pára para respirar. Cena atrás de cenas, somos quase que guiados por estímulos visuais durante os seus 90 minutos de duração. É ótimo do ponto de vista de entretenimento, e enquanto fã deste franchise de jogos.

Mas à saída da sala, sente-se logo uma sensação de vazio, de que faltou algo, e longe de mim, achar que Super Mario Galaxy – O Filme, teria alguma tentativa nobre de elevar o ramo cinematográfico, mas peca se compararmos com o primeiro filme. Mesmo no quesito de filme baseado nos jogos espaciais, Rosalina acaba por ter menos destaque do aquele que seria de esperar, fruto do já mencionado, turbilhão de passagens pelo universo Super Mario.

A Nintendo inclusive, e sem entrar em muitos detalhes, decide ir além do universo que está a adaptar e prepara já as fundações para um ou outra eventual adaptação de franchises adicionais do seu reportório. O que reforçou ainda mais a minha tese de que este filme em particular tenta ser somente porta estandarte descarado do que a Nintendo tem ao seu serviço para aliciar mais espetadores a outras mídias que não o filme servir-se como um fim em si mesmo. Novamente, se fechar os olhos a isto, e observá-lo na ótica de fã, ótimo, e creio que quem for com a mesma mentalidade, terá um prato cheio servido.

Super Mario Galaxy - O Filme

Fora isto, aplaudo o desprendimento de uso de música licenciada, presente no anterior, dando lugar a música oriundo dos jogos, algo que é um passo em frente, naquele que se espera um extensivo universo cinematográfico. E, sem esquecer, também, da qualidade da animação, que tem sido sempre o trunfo da Illumination face aos seus rivais, não desilude. Outros possíveis elogios entrariam em território de spoilers, por isso, deixo apenas no ar, que o filme consegue, organicamente, ser mais fiel à dinâmica daquilo que vemos em ação nos jogos, face ao seu antecessor, que parecia mais tímido neste campo. 

Fazendo as contas finais, Super Mario Galaxy – O Filme é o resultado visível de um filme que quer ser um meio para um fim, que não uma experiência audiovisual em si mesma. E nada contra isso, há apenas que reconhecer que, tal decisão, contradiz o desenvolvimento esperado se formos levar em consideração aquilo que fomos apresentados há três anos atrás. Dito isto, com aquilo que aqui temos, quem é fã do universo de Super Mario irá receber uma experiência que entretém em cada segundo, não dando folego de espera, pegando um pouco de (literalmente) tudo aquilo que o canalizador já se envolveu nos jogos, tanto num passado recente, como distante.

Para quem não se rendeu com o primeiro filme, definitivamente não será este a convencer. Concluo dizendo que estou curioso quanto àquilo que a Nintendo quererá fazer quanto ao futuro deste franchise, agora que abriu portas a tantas outras franquias, que lhe tirarão, com certeza, a atenção durante um tempo. 

Classificação: 6/10

 

João Pedro

Alguém que vê de tudo um pouco, do que se faz no mundo da Sétima Arte, um generalista por natureza. Mas que dispensa um musical ou comédia

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