Cinema: Crítica – The Smashing Machine: Coração de Lutador
Dwayne Johnson está irreconhecível como o icónico lutador Mark Kerr, no novo filme The Smashing Machine: Coração de Lutador, realizado por Benny Safdie.
Quando Uncut Gems estreou na Netflix ainda antes da pandemia, Josh e Benny Safdie tinham catapultado para o estrelato com um filme intenso e com um Adam Sandler inesquecível, atingindo um objectivo que a dupla já tinha há vários anos de terem um filme verdadeiramente reconhecido pelo público e a crítica. As tentativas foram muitas, com Good Time, protagonizado por Robert Pattinson a ser um dos segredos mais bem guardados do cinema independente. No entretanto os irmãos separaram-se – pelo menos artisticamente – e Benny começa a sua jornada com The Smashing Machine: Coração de Lutador.
Seguimos a vida de Mark Kerr (Dwayne Johnson), um lutador de UFC, que está em busca de ser campeão, com uma carreira sólida sem perdas. O filme decorre numa altura em que regras como “arrancar olhos” e outras abordagens eram lentamente banidas, sujeitas a desqualificação, contextualizando o panorama dos primórdios da modalidade.
Este biopic sobre um dos grandes lutadores da sua era, demonstra uma certa sensibilidade estabelecida por Safdie em contar a história de um homem forte e determinado, mas também altamente contraditório dentro da sua própria pessoa. É também uma lição sobre perder e lidar com a perda, sobretudo no desporto. Safdie aborda o tema com um estilo livre e frequentemente espontâneo, num misto de faux-documentário e drama, demonstrando a jornada de Kerr com uma aproximação muito pessoal, ao qual inclui a sua relação com Dawn (Emily Blunt), a sua mulher, cuja relação tremida teve um impacto na sua carreira.
Naturalmente, a interpretação de Dwayne Johnson aqui está no seu auge, com uma actuação muito diferente da que estamos habituados ao lutador livre tornado um dos actores mais bem pagos de Hollywood. Johnson neste papel parece querer provar que este vale muito mais que os seus vários flops no box-office – e impacto na cultura pop no geral – nos últimos anos, demonstrando aqui um nível muito para além do expectável. De igual forma, Ryan Bader como Mark Coleman, melhor amigo de Kerr, também demonstra que é perfeitamente possível estar dos dois lados, como lutador profissional e actor.
Assim, The Smashing Machine: Coração de Lutador reconta a história de um dos mais importantes lutadores da história da UFC, de uma forma cativante, mas não sem as suas falhas narrativas – um pouco mais de foco ao panorama da UFC naquela era e o reforço do quão o Japão era um país pioneiro no desporto, como alguns momentos para respirar, nunca fizeram mal a ninguém. Não obstante, vemos um Dwayne Johnson como nunca vimos, numa obra extremamente emocional, focado num homem disposto a ir até ao fim pela sua paixão.
Nota Final: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




