Cinema: Crítica – The Conjuring 4: Extrema-Unção
Neste quarto filme, vemos The Conjuring 4: Extrema-Unção a ser a despedida do casal de investigadores paranormais mais intrigantes do planeta, nesta derradeira missão familiar.
Nunca soubemos ao certo como chegamos aqui. Pouco mais de uma década depois de James Wan impressionar os espectadores e os críticos com The Conjuring – A Evocação, o desenvolvimento da franquia tem tido os seus altos e baixos, com os dois primeiros filmes a serem aplaudidos, enquanto que a maioria dos spin-off tendem não acrescentar mais que um contexto glorificado ao universo, fora alguns momentos de Annabelle, a boneca demónica favorita de toda a gente. Depois do terceiro filme ter invocado a ideia de como seria The Conjuring se fosse uma série televisiva, eis que estreia o quarto, e aparentemente último filme da saga principal, com The Conjuring 4: Extrema-Unção.
Acompanhamos novamente Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), numa altura em que estão reformados das consultas paranormais, em busca de uma vida, ora, normal, com a sua filha Judy (Mia Tomlinson). É quando uma família rural, que vê a sua vida assombrada por uma entidade desconhecida, que estes são forçados a lidar com algo que também passa pelo seu passado.
Novamente somos confrontados com mais um filme que é uma espécie de episódio, num enquadramento serializado e certamente motivado por uma decisão criativa – ou falta dela – por parte de Michael Chaves, que regressa para uma segunda oportunidade de demonstrar o que vale na franquia principal, potencialmente desperdiçando o que seria efetivamente a despedida final dos Warren no cinema. Pelo menos até alguém se lembrar de fazer um quinto filme e trazer de volta estas personagens, que verdadeiramente têm muito para oferecer, mas que novamente são reduzidas a um mero catalisador de assombrações.
Se ao inicio o filme nos atrai na intriga na forma que esta entidade interliga a família Smurl à família Warren, é na sua indecisão entre ser um filme de terror e um drama familiar que perdemos o fio à meada e quando damos por nós, o mais interessante aparece e desaparece num terceiro acto apressado, cuja única finalidade é dar aos Warrens uma espécie de história que feche um ciclo, arrastando-se num filme que não tem motivo nenhum de ultrapassar as pouco mais de duas horas de duração.
Por mais que seja bom ver Farmiga e Wilson como o casal apaixonado, apoiado pelas suas vivências em conjunto e com uma enorme empatia entre eles, é ao conhecermos a a sua filha Judy e o seu namorado Tony (Ben Hardy), que acrescentam a uma dinâmica já ela interessante, ainda que não explore inteiramente tudo aquilo que têm para oferecer.
Assim, The Conjuring 4: Extrema-Unção tinha tudo para ser memorável, e até muito aterrador. Mas o seu desiquilíbrio e tentativa de compromisso entre dois géneros, acaba por ver a sua sinceridade a não misturar-se bem com o terror sobrenatural. Os Warren mereciam uma despedida melhor, deixando-nos na esperança de um reencontro mais conciso e assumido no futuro; mesmo que este seja num serviço de streaming todas as semanas.
Nota Final: 5/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




