Cinema: Crítica – Ready or Not 2 – O Ritual
A dupla de cineastas conhecida por Radio Silence regressam ao grande ecrã com a sequela Ready or Not 2 – O Ritual, num filme protagonizado por Samara Weaving e Kathryn Newton
Quando a dupla de cineastas Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett – mais conhecidos como o coletivo Radio Silence – lançou Ready or Not – O Ritual, alcançaram finalmente o grande impulso que há muito mereciam, desde os seus dias no cinema de terror independente. A dupla destacou-se com a sua participação na primeira antologia V/H/S, seguindo depois com Devil’s Due e Southbound. Logo a seguir, foram responsáveis pela revitalização de Gritos, com duas sequelas, e por Abigail, um filme que muitos já consideram uma futura obra de culto. Agora, regressam ao grande ecrã com Ready or Not 2 – O Ritual, continuando a história que os definiu como dois dos grandes cineastas do género.
Após os eventos do primeiro filme, Grace (Samara Weaving) vê-se novamente no centro de um jogo mortal – desta vez, ao lado da sua irmã afastada, Faith (Kathryn Newton) – enquanto ambas fogem das várias famílias que pretendem tomar o poder deixado pela falecida família Le Domas, depois de um ritual malogrado.
A casualidade e a falta de risco mais elevado do primeiro filme parecem ser problemas imediatamente corrigidos na sequela, que tem a ousadia de não apenas expandir o lado familiar de Grace, com a inclusão da sua irmã, como também todo o enredo em torno da organização secreta a que os Le Domas pertenciam e quem realmente está a liderar todos os rituais. São dois aspetos muito bem-vindos, que oferecem a perspectiva e a dimensão de que a história tanto necessitava, e que fazem mover esta nova narrativa com mais intensidade e propósito.
Riscos maiores trazem recompensas maiores, e os Radio Silence conseguem elevar tudo o que tinham estabelecido até então, apresentando antagonistas verdadeiramente odiáveis, menos ambíguos, que se assumem como figuras que o público pode genuinamente detestar, enquanto torce por Grace e Faith e pela sua jornada de reconciliação familiar.
Com mais violência, mais humor e mais momentos memoráveis – incluindo participações especiais de Elijah Wood e Sarah Michelle Gellar – o maior pecado do filme está na forma como a narrativa muda as regras do jogo ou as evoca apenas quando é mais conveniente, transformando por vezes a narrativa num jogo onde tudo pode acontecer quando menos se espera, mas também sempre que tal favorece o desfecho desejado.
Ainda assim, Ready or Not 2 – O Ritual é uma sequela que consegue superar o primeiro filme, ainda que por pouco. Prosperando com a expansão do próprio universo que cria, oferece essencialmente o mesmo filme num contexto diferente, mas com melhor ritmo, maior coerência e mais momentos inesquecíveis – repletos de sangue, humor negro e tudo o que o público tem direito.
Nota Final: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.





Concordo que a Radio Silence tem um estilo bem particular, e ver como evoluíram nesse segundo filme vai ser interessante.