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Cinema: Crítica – O Som da Morte

O terror regressa ao grande ecrã com uma proposta curiosa, em O Som da Morte, protagonizado por Dafne Keen e realizado por Corin Hardy.

Quando Corin Hardy estreou a sua primeira longa-metragem, o folk-horror The Hallow — que também passou pelo MOTELX —, foi rapidamente apontado como um dos grandes novos talentos do cinema de género. O seu olhar distinto sobre o terror, marcado por uma atmosfera densa e uma atenção meticulosa aos detalhes visuais, colocou-o entre os realizadores mais promissores da nova geração. A partir daí, Hardy cimentou a sua reputação ao realizar A Freira, um sucesso comercial dentro do universo The Conjuring, e mais tarde ao dirigir vários episódios da aclamada série Gangs of London. Com O Som da Morte, o realizador regressa ao grande ecrã e, de certa forma, às suas origens — ao terror enraizado na mitologia e no mistério, com uma visão pessoal e visceral.

O Som da Morte

A história acompanha Chrys (Dafne Keen), uma adolescente que se muda para uma nova cidade para viver com o primo Rel (Sky Yang), tentando adaptar-se a um ambiente estranho e recomeçar a sua vida. No entanto, tudo muda quando descobre um misterioso artefacto maia dentro do seu cacifo escolar. A partir desse momento, acontecimentos inexplicáveis começam a suceder-se, revelando uma ligação sobrenatural entre o artefacto e um poder sinistro. Chrys e o seu novo grupo de amigos — Dean (Jhaleil Swaby), Ellie (Sophie Nélisse) e Grace (Ali Skovbye) — tornam-se presas de visões perturbadoras e aparições macabras, que colocam em risco não apenas as suas vidas, mas também a sua sanidade.

Apesar de à primeira vista parecer apenas mais um filme de terror adolescente, O Som da Morte surpreende pela sua execução e pela forma como Hardy conjuga elementos clássicos do género com um toque contemporâneo e emocional. O filme ganha força precisamente por trabalhar a empatia entre as personagens e ao usar o artefacto como um catalisador para explorar temas mais profundos — como culpa, pertença, e a dificuldade de lidar com o trauma. Mesmo que por vezes tropece em algumas coincidências narrativas e convenções típicas, há aqui uma autenticidade que o distingue dos demais.

O Som da Morte

Este é um filme repleto de feitos notaveis, onde vemos uma dominação curiosa na criação de atmosfera, alternando momentos de tensão sufocantes, com explosões de violência gráfica que lembram os velhos tempos do terror com efeitos práticos. O filme equilibra inteligentemente o lado sobrenatural com o drama humano, reforçado por um elenco jovem com uma química surpreendente. Destaca-se a relação entre Chrys e Ellie, que traz um toque de romance queer tratado com sensibilidade, funcionando como uma âncora emocional entre o caos e o medo constante.

A realização de Hardy demonstra maturidade. Este é, provavelmente, o seu trabalho mais sólido até à data, repleto de referências subtis aos mestres do cinema de terror, mas sempre com uma voz própria. A banda sonora — cuidadosamente curada — dá corpo à tensão, acompanhando cada momento com precisão quase cirúrgica.

Em suma, O Som da Morte é um dos mais interessantes filmes de terror do ano, que irá satisfazer os fãs do género, e certamente irá superar as expectativas daqueles que arriscam dar-lhe uma oportunidade. Apenas não metam na boca um qualquer artefacto maia para verem o que acontece…

Nota Final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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