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Cinema: Crítica – “O Monte dos Vendavais”

“O Monte dos Vendavais” é a mais recente adaptação da obra literária de Emily Brontë, num filme realizado por Emerald Fennell e protagonizado por Jacob Elordi e Margot Robbie.

O Monte do Vendavais é uma obra da autora Emily Brontë, publicada originalmente em 1847, tendo sido adaptada para televisão e cinema dezenas de vezes nos últimos 106 anos.  Desta vez, a adaptação cai sobre a realização de Emerald Fennell, num filme protagonizado por Jacob Elordi e Margot Robbie nos papeis principais; com o título estilizado com aspas, já a dar a entender que é uma adaptação mais livre.

Cathy Earnshaw (Robbie) é uma jovem que acaba por conhecer Heathcliff (Elordi) enquanto nova, quando ambos desenvolvem uma paixão mútua. Mas o estatuto da família de Cathy muda quando esta conhece Edgar Linton (Shazad Latif), membro de uma das famílias mais ricas, alterando assim o percurso da sua vida e do seu amor. Heathcliff acaba por regressar à sua vida, torturando o coração dela, questionando tudo sobre os seus sentimentos.

Quando Sofia Coppola estreou a sua versão de Marie Antoinette, a sua liberdade criativa foi posta em causa por alguma decisões que muito contribuem para o estatuto de culto do filme como o conhecemos hoje, com a utilização dos sapatos All-Stars a ainda serem falados na iconografia de moda no cinema. É uma afirmação forte que vinte anos depois, vê Fennell a adaptar uma das obras mais estudadas da história da literatura e torná-la apelativa para a Gen Z.

Neste caso, Fennell equilibra uma mistura de melodrama romântico com conotações adultas, ainda que uma forma contida q.b., e de um bom gosto completamente discutível. Esta abordagem não moderniza nenhum elemento como foi o caso de Coppola, pois mantém de forma consistente todo o classicismo, mas apura um lado mais primal do sentimento humano para se posicionar como ousado. Aliado a isto está Charli XCX, cuja reputação na cultura-pop actual, veêm as músicas compostas para o filme como outro elemento de uma ousadia, criando uma impressão muito específica do filme, ainda antes do espectador se sentar na sala.

Enquanto Robbie e Elordi carregam o romance em estado máximo, Hong Chau e Alison Oliver no elenco secundário a suportam o caos amoroso; acabamos por ver as muitas cenas do filme cujo propósito é de tornarem realidade as fantasias que deixam qualquer um corado, algo que o filme insiste em fazer múltiplas vezes e de múltiplas formas. O que poderá aparentar como uma tentativa fútil de elevar a obra original perante novos públicos, acaba por ser apenas suficientemente apelativo para os demais.

Assim, “O Monte dos Vendavais” é, talvez, a adaptação que será a mais memorável na geração actual, impulsionada pelas expectativas e impressões de um público cronicamente online. Retirando isso, é apenas um melodrama romântico mediano com alguns, poucos, momentos interessantes, disfarçando aquilo que realmente é, com ousadia fugaz. 

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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