Cinema: Crítica – Freaky Tales
Fãs de antologias de género poderão contar com o novo filme de Anna Boden e Ryan Fleck, com Freaky Tales, que conta com a participação de Pedro Pascal.
O cinema e a televisão de género e as antologias sempre andaram de mão em mão, desde A Quinta Dimensão, a entradas mais recentes como V/H/S ou The ABCs of Death, e popularizado na Netflix com Black Mirror. É também uma plataforma para cineastas experimentarem ideias em formatos curtos, ou ser apenas outra forma de contar uma história interligada por momentos distintos, replicando a forma que a vida simplesmente acontece. Esse é o caso de Freaky Tales, um filme que junta novamente Anna Boden e Ryan Fleck, a sua primeira obra no grande ecrã após a sua iteração na Marvel.
Durante quatro capítulos, que acontecem em simultâneo em Oakland, Califórnia em 1987, inspiradas em eventos reais, vemos um conjunto de personagens que representam uma era dos Estados Unidos onde este distinto conjunto de personagens encaixa na história da baía; desde uma batalha entre punks e nazis, a um jogador de basquetebol que definiu um recorde na NBA, passando por um capanga à beira da reforma – tudo com uma magia freaky.
Entre os quatro contos, todos eles têm os seus pontos fortes e menos fortes, mas consistentes entre elas, e todas contribuem para a importância da narrativa, nem que contribua para o mero entretenimento mágico da sua mensagem. Se em “Strength in Numbers: The Gilman Strikes Back” tudo começa com uma amostra do submundo do punk e do seu impacto cultural contra o ódio nazi, “Don’t Fight the Feeling” estende a estranheza do racismo não tão discreto, explorando também outro ponto cultural via o hip-hop, com o duo Danger Zone a liderar o movimento. “Born to Mack” foca a história em Clint (Pedro Pascal), um homem a tentar sair de uma vida de crime, mas forçado a vingar-se depois de uma tragédia, após o seu passado ter-lhe apanhado; e “The Legend of Sleepy Floyd”, a derradeira dedicatória a um dos jogadores mais importantes da NBA, nos lendários jogos dos Golden State Warriors contra os Los Angeles Lakers.
O fio condutor entre todas as histórias é a nostalgia e o efeito duradouro que tiverem, deixando uma verdadeira marca nos vários aspectos que perduram na actualidade; servindo também como uma forma de olhar para o passado e percebermos que muitos desses tópicos continuam relevantes até aos dias de hoje, com suporte a contos e lendas urbanas, tornando atraentes a um público que activamente busca estas descobertas e celebrações.
Apesar de toda a segurança e garantia de um bom serão, Anna Boden e Ryan Fleck aproveitam todo o potencial das antologia e explorar coisas diferentes, enquanto homenageiam as pessoas e os momentos influentes nas suas vidas e carreiras, com um filme que é difícil ser desagradável, ainda mais junto a um público que vive e respira o género; e Freaky Tales será sem dúvida lembrado como um futuro clássico de culto.
Nota Final: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




