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Cinema: Crítica – Apanhado a Roubar

Darren Aronofsky regressa ao grande ecrã com Apanhado a Roubar, protagonizado por Austin Butler, Zoë Kravitz, e muitos outros.

A reputação de Darren Aronofsky no panorama actual está em causa: as novas gerações continuam a venerar o seu trabalho mais antigo, com A Vida Não É um Sonho e The Fountain – O Último Capítulo ainda a receberem o seu eterno aplauso, e um reconhecimento intrigante de Cisne Negro e Mãe! frequentemente nas listas de recomendações dos novos criadores de conteúdos nas redes sociais. Enquanto A Baleia tenha causado uma impressão mista, mas focada no regresso bem-vindo de Brenden Fraiser, é com Apanhado a Roubar que o realizador tem intenção de se reinventar no grande ecrã.

Conhecemos Hank Thompson (Austin Butler), um ex-jogador de baseball que acaba por seguir a sua vida como bartender em Nova Iorque, a aproveitar a vida com a sua namorada Yvonne (Zoë Kravitz). Quando o seu vizinho Russ (Matt Smith) vai de viagem, este deixa-lhe o gato, iniciando assim uma série de reviravoltas que envolvem gangsters, a polícia, e uma ameaça muito real contra aquelas que Hank adora.

É ao canalizar o seu Guy Ritchie interior que Aronofsky combina uma narrativa explosiva, imparável no seu ritmo, e com demasiadas reviravoltas para nos manter com o olhar cativo no ecrã. Curioso é que o realizador faz o suficiente para se destacar da sua inspiração mais óbvia, sobretudo a nível de realização, deixando-nos a delirar com o quão fantástico o restante é o seu conteúdo, num filme como nenhum outro, em plena Nova Iorque pré-11 de Setembro, nos primórdios da gentrificação das partes mais duras da cidade.

À medida que o filme revela as suas intenções, vamos acompanhando o drama, numa enorme mistura de situações duvidosas com personagens ainda mais duvidosas; onde contamos com um elenco de luxo, com Liev Schreiber, Vincent D’Onofrio, Benito A Martínez Ocasio – o cantor agora tornado actor Bad Bunny – entre muitos outros. Ao vermos as intenções de cada um, e elas perante Hank, é fácil deixar-nos levar pelo sabor do vento caótico que tudo isto traz. É verdadeiramente uma aventura alucinante como uma locomotiva, que por vezes sai fora dos carris, em prol de puro entretenimento.

Assim, Apanhado a Roubar é uma das grandes surpresas do ano, onde Aronofsky demonstra que ainda tem muito para oferecer, reinventando a sua existência cinematográfica. Não cedendo a apenas um estilo de realização, ou género de filme, o mesmo pode ser comparado a Tarantino em vários aspectos, sendo neste filme um autêntico catalisador maníaco, que nos deixa muito satisfeitos.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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