Cinema: Crítica – 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos
Depois de uma emocionante primeira parte, 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos continua a história de um mundo pós apocalíptico, e as pessoas que o habitam, num filme realizado por Nia DaCosta.
Quando o tão aguardado terceiro filme 28 Anos Depois estreou nos cinemas, com um filme que deixou muitos fãs satisfeitos, e estranheza em tantos outros que apenas recentemente tinham visto os filme, a verdade é que a série nunca foi tão relevante como é hoje, tal seja a prova da popularidade recente, e a confiança que Danny Boyle e Alex Garland têm no teu trabalho, que de certo modo, passam a tocha a Nia DaCosta em 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos.
Continuando a história do filme anterior, seguimos mais de perto a vida de Dr. Ian (Ralph Fiennes), que continua o seu ossário, em homenagem às vítimas da epidemia que matou praticamente toda a gente. Do outro lado, acompanhamos Spike (Alfie Williams), que se juntou a Jimmy Crystal (Jack O’Connell), o líder psicopático dos Jimmys, um culto diabólico que causa morte e destruição por onde passam.
Ainda que este filme seja considerado a segunda parte de 28 Anos Depois, este expande o universo já estabelecido, com as personagens que vimos pouco, ou que gostaríamos de ver aprofundadas, sobretudo o Dr. Ian e Jimmy. O filme efectivamente oferece-nos muito mais para descobrir sobre ambos, onde percebemos como as suas vidas se inserem neste ambiente pós apocalíptico. Esta é uma obra que é mais focada nos vivos do que na perseguição dos mortos, olhando de perto para o mundo que criaram para eles próprios.
Esta personificação oferece-nos a oportunidade que muito queríamos em ver mais sobre certas personagens, funcionando como um complemento perfeito à primeira parte, estendendo a sua narrativa muito para além do que o absolutamente necessário, mas muito bem-vindo; considerando o conjunto de personagens apresentado. É de igual forma um filme, justificadamente mais violento, com verdadeiros momentos de tapar a cara.
Com Nia DaCosta a ser merecidamente confiada a oportunidade de realizar esta segunda parte, infelizmente vemos-lhe a manter, em grande parte, os aspectos mais neutros de Boyle; caindo novamente como uma cineasta confiável mas presa ao cumprimento de manter uma consistência perante outras obras. Com exceção do maravilhoso Hedda, que estreou no Prime Video no ano passado, DaCosta viu-se numa situação semelhante com Candyman e As Marvels. É frustrante ver tamanho talento ainda a não atingir o seu máximo potencial e confiança de arriscar muito mais, sobretudo quando é lhe dada a liberdade criativa para deixar a sua marca.
Assim, 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos é uma excelente sequela, que irá deixar felizes aqueles que gostaram da primeira parte, e a evitar pelos restantes que não apreciaram a entrada mais recente na série. Com um terceiro filme em desenvolvimento, para fechar a trilogia, mal podemos esperar para ver o que virá a seguir.
Nota Final: 8/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




