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Arco: “Um dos melhores filmes de animação da década” chega esta semana

Chega às salas de cinema portuguesas no próximo dia 15 de janeiro um dos filmes de animação mais celebrados dos últimos anos. Arco, longa-metragem francesa desenhada à mão e realizada por Ugo Bienvenu, estreia finalmente em Portugal depois de um percurso raro, quase mítico, que o levou dos esboços íntimos feitos durante a pandemia aos maiores palcos do cinema internacional.

Arco

Descrito pelo site Collider como “um dos melhores filmes de animação da década”, Arco transporta o público para o ano 2075, onde Iris, uma rapariga solitária, assiste à queda literal de um rapaz vindo do céu. Arco surge envolto num fato arco-íris e traz consigo um segredo impossível: vem de um futuro distante e utópico, onde a viagem no tempo é uma realidade. Ao acolhê-lo em segredo, Iris inicia uma aventura que cruza ficção científica, fábula ecológica e uma reflexão profundamente humana sobre tecnologia, natureza e esperança.

À medida que tentam devolver Arco ao seu tempo de origem, nasce entre os dois um laço emocional que coloca uma questão central: devemos mudar o curso do tempo ou aceitar que certos encontros existem apenas para nos transformar? Numa história comparada pela Konbini a “um encontro entre E.T. e Miyazaki”, o filme propõe uma visão sensível e luminosa do futuro, sem negar as sombras do presente.

Arco

O impacto de Arco começou muito antes da sua estreia comercial. O filme integrou a Seleção Oficial do Festival de Cannes, venceu o Prémio Cristal em Annecy, o mais importante festival de cinema de animação do mundo, recebeu nomeações para os Globos de Ouro e Critics Choice Awards e surge já como um dos fortes candidatos às futuras nomeações para os Óscares da Academia. Pelo caminho, foi adquirido pela reputada Neon para distribuição internacional e acumulou distinções e elogios em festivais internacionais, de Cannes a Marrakech.

Produzido pela MountainA, companhia liderada por Natalie Portman e Sophie Mas, em parceria com a francesa Remembers, Arco é também um exemplo raro de convergência entre cinema de autor europeu e ambição internacional. Portman não escondeu o impacto que o projeto teve desde o primeiro contacto: “A arte e o ativismo vêm do mesmo lugar. Ambos imaginam uma realidade para além daquela em que vivemos. Isso está profundamente presente neste filme.”
Arco

O próprio nascimento do projeto é inseparável do contexto da pandemia. Durante o confinamento de 2020, Ugo Bienvenu começou a desenhar como forma de resistência criativa, imaginando uma criança vinda de um futuro mais livre e feliz. Em parceria com Félix de Givry, ator e coargumentista, o filme foi sendo construído quase em segredo, sem guiões tradicionais ou apresentações formais, mas através de um animatic de 50 minutos que continha já a alma do projeto.

Essa abordagem pouco convencional permitiu uma liberdade criativa rara. Inspirado por Spielberg, Zemeckis, Miyazaki e pela mitologia de clássicos como Peter Pan, Pinóquio ou O Principezinho, Arco assume-se como uma fábula intemporal para todas as idades, com uma animação 2D artesanal que reivindica o gesto humano num mundo cada vez mais dominado por algoritmos.

“Uma grande parte da ficção científica imagina futuros onde tudo permanece igual”, explica Bienvenu. “Talvez sejamos uma das primeiras gerações que quer realmente ir noutra direção.” Essa vontade atravessa todo o filme e cristaliza-se na sua última frase — “I wish that things would change” — que funciona como declaração temática e política.

Mais do que um sucesso crítico, Arco afirma-se como um filme necessário para o nosso tempo: um convite à imaginação, à responsabilidade coletiva e à possibilidade de um futuro melhor. A partir de 15 de janeiro, essa viagem chega finalmente ao grande ecrã português com o apoio do Creative Europe Programme – Media da União Europeia.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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