Análise Jogos| Mirage 7: Uma Aventura Cheia de Potencial, mas…
Com o meu pouco tempo livre e que geralmente o ocupo com a banda desenhada, confesso que testar e analisar um jogo tem de ser mesmo por ele me despertar bastante curiosidade, ou ser nostálgico, e com i Mirage 7 foi memso pela primeira opção.
A premissa é interessante: uma aventura ambientada num mundo inspirado no Médio Oriente, misturando ficção científica com elementos de contos das Mil e Uma Noites. No centro da história está Nadira, uma aventureira determinada que atravessa desertos e ruínas numa missão emocionalmente pesada: encontrar a lendária Princesa Taishma, a única capaz de trazer a sua irmã de volta da morte.
Pelo caminho, enfrentamos aranhas cavernosas, espíritos vingativos e vários perigos espalhados pelas dunas. Nadira conta com um punhal, uma fisga bastante precisa, e também com a ajuda do seu fiel companheiro, o lagarto Jiji, que possui habilidades próprias importantes para resolver puzzles e ultrapassar obstáculos.
No papel, isto tudo parece promissor. E, para ser justo, o jogo até tem boas ideias.
Uma das coisas que funciona melhor em Mirage 7 é a sua história. Inspirada no conto premiado Miraggio, a narrativa aborda temas como coragem, perda e traição, e vai sendo revelada através de encontros com várias personagens misteriosas.
Entre elas encontramos figuras como a inquietante Bruxa de Jala ou o enigmático Vizir, que ajudam a dar algum peso ao mundo do jogo. A interpretação vocal também merece destaque: a voz-off de Nadira é bastante agradável e encaixa bem no tom da aventura, ajudando a manter o interesse mesmo quando a jogabilidade não acompanha o mesmo ritmo.
Aliás, é talvez a narrativa e a atmosfera que mais sustentam a experiência.
Infelizmente, depois da curiosidade inicial, começam a surgir alguns problemas difíceis de ignorar.
O primeiro impacto é visual. Os gráficos são bastante datados, algo que se nota imediatamente. Não é uma questão de estilo artístico — há muitos jogos com visuais simples que funcionam perfeitamente — mas aqui percebe-se claramente a falta de recursos de produção. Modelos simples, ambientes pouco detalhados e animações limitadas acabam por tirar alguma força ao universo que o jogo tenta construir.
Depois há a questão dos comandos, que são um pouco duros e com resposta lenta. Num jogo que envolve exploração, combate e resolução de puzzles, isto acaba por afetar a fluidez da jogabilidade. Há momentos em que parece que Nadira demora sempre meio segundo extra a fazer aquilo que pedimos.
Outro ponto que me deixou genuinamente perplexo foram os ecrãs de carregamento. Não estou a falar de alguns segundos ocasionais. Estou a falar de carregamentos surpreendentemente longos, algo estranho tendo em conta que o jogo não apresenta mundos gigantes nem gráficos particularmente exigentes.
Durante a minha experiência também encontrei vários bugs pelo caminho. Nada que tornasse o jogo completamente injogável, mas o suficiente para quebrar a imersão aqui e ali. Pequenos problemas como comportamentos estranhos de inimigos ou situações em que a Nadira que deveria estar parada, como a deslocar-se sozinha, deslizando pelas areias sem mexer as pernas e sem que algum comando esteja a ser usado.
Não é algo raro em produções independentes, mas reforça a sensação de que Mirage 7 precisava de mais algum tempo de polimento.
Concluindo, no final de contas, Mirage 7 é um daqueles jogos que quase chega lá.
Tem uma premissa interessante, um mundo com potencial e uma narrativa que tenta ir além do típico jogo de ação e aventura. A presença de personagens curiosas, puzzles e temas emocionais mostra que houve claramente ambição criativa por parte da equipa.
Mas entre bugs, comandos pouco responsivos, gráficos datados e puzzles por vezes demasiado aborrecidos, a experiência acaba por perder algum do brilho que poderia ter.
Ainda assim, há aqui uma base que podia dar origem a algo muito mais sólido no futuro. E isso talvez seja o mais curioso em Mirage 7: é fácil imaginar um jogo muito melhor escondido dentro dele.
Com mais tempo, mais recursos e algum polimento extra, poderia ter sido uma pequena surpresa.
Assim, fica como uma aventura simpática, com boas ideias… e algumas areias no mecanismo.
Classificação: 6/10
- Disponível para: PlayStation 5|4, Xbox Series X|S, Xbox One e PC através da Steam, Epic Games Store e GOG.
- Testado em: Playstation 4
- Preço de lançamento: 19.99€
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.




