Pirate Borg RPG – Ser Pirata Nunca Foi Tão Divertido
Confesso já: quando ouvi falar de Free League Publishing a lançar um RPG de piratas com o selo caótico do universo Borg, fiquei imediatamente curioso mas ligeiramente desconfiado. Parecia daquelas ideias que tanto podem correr genialmente bem como descambar num caos absoluto. O projeto saiu em 2023 (esteve em crowdfunding em 2022), mas só agora tive a oportunidade de experimentar, e em boa hora o fiz.
O Pirate Borg é aquilo que promete: um RPG que dira ter umas regras até simples, mas com um tema negro, e completamente embebido em rum, pólvora e más decisões. Aqui não há heróis nobres, há escumalha com sorte (às vezes) e uma tendência natural para morrer cedo e de forma pouco digna.
A criação de personagem é rápida, o que é ótimo porque, sejamos honestos, vamos precisar de fazer várias. E por isso entramos em ação muito rapidamente. Vamos ter de arranjar um navio, recrutar uma tripulação duvidosa e partir para pilhar tudo o que mexe (e algumas coisas que definitivamente não deviam mexer).
O sistema naval é simples e funcional, o suficiente para criar belos combates sem transformar sem grandes complicações depois há aquele toque delicioso de horror com criaturas nas profundezas, maldições, ilhas que claramente deviam ser evitadas… mas nós vamos na mesma, porque… loot. (como resistir, não é?).
O Starter Set é uma boa porta de entrada: vem com tudo — dados, mapas, tokens — basicamente um kit para começar imediatamente a arruinar a vida dos personagens. E o ecrã de GM? Honestamente, tem muito estilo e ajuda logo a submergir no universo da coisa.
Além disso também tive a oportunidade de experimentar a expansão Down Among the Dead. Diria que não era estritamente necessária, mas melhora tudo. Traz três aventuras completas, novas classes e uma quantidade absurda de tabelas e geradores — desde bandeiras a recifes de coral. É o tipo de conteúdo extra que me faz sentir um génio criativo… quando na verdade estou só a rolar dados e a fingir que planeei tudo.
Agora… nem tudo é perfeito.
Dá para perceber que tudo foi feito com muito amor — mesmo muito. Mas, para mim, o design gráfico entra num território… digamos… agressivamente artístico. Tem fontes agressivas e de leitura difícil, e os blocos de texto encavalitam-se uns nos outros. É bonito? Sim. É necessário? Nem sempre. Para mim, acaba por ser demasiado distrativo e até um pouco exagerado sem grande necessidade.
Por outro lado, os dados, tokens e acessórios? Impecáveis. Dá gosto tê-los na mesa — quase fazem esquecer que a minha personagem acabou de ser devorada por algo com demasiados dentes.
Pirate Borg tem então uma abordagem acessível mas caótica. É ótimo para quem gosta de sessões rápidas, campanhas improvisadas e para quem prefere ação. Há também muito amor pelo tom, Dá para perceber com aquela mistura de humor negro, horror e pirataria suja que não se leva demasiado a sério.
E como já disse em cima, a expansão Down Among the Dead é um bom complemento. As aventuras são criativas e bem estruturadas.
No global é um jogo com identidade forte, divertido, rápido e cheio de personalidade. Não tenta ser tudo para todos e talvez seja isso que o torna tão apelativo, A sua aura ligeiramente absurda mas muito divertida vale bastante. Pode não ser o sistema mais elegante ou o mais legível, mas tem alma, e, às vezes, isso vale mais do que páginas perfeitamente organizadas.
E agora, se me dão licença, tenho uma nova personagem para criar. Este, tenho a certeza, vai sobreviver mais de 10 minutos. Provavelmente.
Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.





