Dead Romeo – Vampiros à moda da DC Comics
Dead Romeo é uma mini-série sobre vampiros publicada pela DC Comics, lançada em 2009. Recomendada para quem aprecia BD’s de terror sobrenatural, a história foi escrita por Jesse Blaze Snider (n. 1982, também músico) e desenhada pelo artista Ryan Benjamin (conhecido pelo seu trabalho em Batman and the Outsiders).
Embora nunca tenha sido traduzida e publicada para português, Dead Romeo certamente seduziria todos aqueles que não poderiam resistir a algo tão envolvente como um romance vampírico envolta em tragédia e ação que é narrado pela própria Morte. O terror deslumbra amiúde em histórias independentes, sobretudo quando o insólito desdobra-se em casos complexos, rompendo com o quotidiano, evocando a vulnerabilidade existencial, a força dos dilemas e a fragilidade das relações humanas — não só entre si, mas diante de forças sobrenaturais que os ultrapassam.
Afinal quem é Dead Romeo? A principal personagem foi outrora um músico dedicado ao Glam Rock – mais precisamente Jonathan Romero – vocalista da banda fictícia The Dead Romeos, que tocou em centenas de festas e concertos durante os anos 80 (do século XX, pois) antes de ser transformado em vampiro e enviado diretamente para o Inferno.
Décadas depois, Romero recebe a oportunidade de regressar à Terra para escapar da condenação eterna, mas tudo tem um preço: Precisa de matar uma virgem inocente, por quem na realidade se apaixona. Assim começa a sua provação. Dead Romeo acompanha o seu esforço para proteger esta mulher quando na realidade sabe que está condenado a regressar ao Inferno. E as forças que o contrariam são constituídas por vampiros violentos e sem escrúpulos (o grupo insano conhecido por The Hollywood Vampires), que tudo farão para o liquidar juntamente com a sua protegida.
Influenciado por The Crow (1981) e por The Princess Bride (1987) Jesse Blaze Snider não resistiu ao poder de uma tragédia romântica que tem como protagonista um vampiro, algo que relembra claramente a personalidade complexa de Drácula (1897) de Bram Stocker – cuja imortalidade serve de alegoria ao seu desejo árduo de reencontro com o seu verdadeiro amor – e da de Louis de Pointe du Lac em Entrevista com o Vampiro (1976) da autoria de Anne Rice, vampiro que sempre sentiu repulsa por ter de se alimentar de sangue humano.
As críticas em relação a esta mini-série nem sempre foram as melhores nos EUA, já que vários acusaram do seu autor de ser pouco original devido a essas referências tão conhecidas, além de alguma superficialidade em relação às personagens. A violência expressiva, exagerada, também não foi bem aceite por vários leitores. Todavia, dentro do género de histórias de vampiros em BD, não há quem resista a Dead Romeo. Há sempre quem anseie por mais mini-séries com um teor semelhante, sobretudo por aqueles que jamais se cansam de histórias de entidades sobrenaturais relacionadas com a magia e a noite.
A arte de Ryan Benjamin, que conta com o apoio de Saleem Crawford, também é apreciável. Procura fazer eco de uma atmosfera sombria e gótica, explorando sobretudo o cenário de Los Angeles, incluindo não apenas o cemitério que se conecta com todas as personagens, como o bar obscuro explorado pela Morte e outros recantos urbanos.
A anatomia definida destas personagens, para não dizer exagerada, obedece à estética própria dos super-heróis norte-americanos. Como não deveria deixar de ser, as suas poses e gestos reforçam a intensidade emocional, de alto teor dramático, e a ação, com sequências fluídas para transmitir o máximo de movimento, onde a violência e a imensa representação de sangue são incontornáveis.
Dead Romeo não surge como um caso totalmente isolado dentro da DC Comics. Outras mini-séries de vampiros, apreciadas, também servem de referência e podem ser comparadas, como I, Vampire (2011 – 2013) com as suas origens nos anos 80, através de The House of Mistery, onde o protagonista Andrew Bennett também faz os possíveis para manter um código moral e o seu lado humano incólumes e tem de lidar com um romance trágico. Outra referência obrigatória, digna de comparação, é American Vampire (2010) lançado pela Vertigo.
Criado pelo escritor Scott Snyder em estreita colaboração com o artista Rafael Albuquerque, a BD acompanha as aventuras de Skinner Sweet: Trata-se de um fora-da-lei do Velho Oeste que se torna um vampiro e os seus principais arcos relacionam-se com diferentes eventos históricos ocorridos nos dois últimos séculos. American Vampire combina horror, ação, investigação, western, tragédia e ocorrências históricas de uma forma notável. A personagem seduziu também Stephen King (n. 1947), que contribuiu com algumas histórias, expandido este universo.
É certo que os anos 10 do século XXI foram proveitosos em termos de histórias de vampiros para a DC Comics. Dead Romeo parece dar início a essa tendência. A dúvida é se voltaremos ao assistir a mais lançamentos de mini-séries do género… Ou se Dead Romeo regressará através da nova iniciativa de algum autor de BD que sentirá que os vampiros do mundo da ficção jamais poderão morrer.

Fascinado por História da Arte e pelo Universo Criativo da Ficção, é um entusiasta consumidor de Banda Desenhada além de leitor assíduo de obras de Ficção Científica e de Terror, com particular predileção pelo Oculto e o Sobrenatural







