Bomb Jack Twin, das arcadas para as consolas em 2026
Há jogos que cheiram a nostalgia mas que por vezes nem nos lembramos deles. Ficam ali, quietos, à espera que alguém volte a ligar a ficha à memória. E em 2026 foi exatamente isso que aconteceu com Bomb Jack Twin, agora recuperado das arcadas pela HAMSTER Corporation para as consolas modernas através da série Arcade Archives.
Disponibilidade: Nintendo Switch 1 e 2, PlayStation 4 e 5 e Xbox Series X|S.
Versão testada: Playstation 4
Originalmente lançado em 1993, Bomb Jack Twin era a sequela cooperativa do clássico Bomb Jack. A ideia é tão simples como brilhante! Plataformas fixas, inimigos por todo o lado, bombas espalhadas pelo cenário e um ou dois heróis que se projetam pelo ar prontos a testar os nossos reflexos e a nossa paciência.
E aqui permitam-me um momento pessoal: um dos jogos da minha infância foi precisamente o seu antecessor, Bomb Jack. Foram muitas, muitas horas no meu velhinho ZX Spectrum, a tentar dominar aqueles saltos improváveis e a decorar padrões como se fosse matéria para teste. Não havia rewind. Não havia saves, não havia créditos ilimitados. Havia insistência e resiliência.
Voltar agora a este universo com Bomb Jack Twin tem aquele sabor agridoce da nostalgia — mas sem teclado e sem correr o risco de, depois de 5 minutos a carregar o jogo, aparecer o famigerado “tape loading error”.
O conceito mantém-se direto: recolher todas as bombas do nível, de preferência pela ordem que aparecem com o pavio a arder para termos bónus extra, enquanto evitamos (ou derrotamos) inimigos. Mas como todos os jogos da época, a simplicidade é inversamente proporcional à dificuldade. Daquelas que começa relativamente acessível e rapidamente nos lembra que os anos 80 e 90 não eram propriamente um spa de relaxamento digital.
E sim, pode ser jogado por duas pessoas. E aqui está uma das suas maiores virtudes. Jogar a solo já é um desafio sério; a dois torna-se caótico, estratégico e absolutamente delirante.
A nova versão chega às consolas modernas — Nintendo Switch, PS4 (versão testada), PS5 e Xbox Series, com o selo de qualidade da série Arcade Archives. A filosofia é clara: reproduzir fielmente a experiência original. E aqui isso nota-se o amor que editora em fazer preservar este e tantos outros jogos da infância e juventude de tanta gente.
Como muitos jogos da sua geração, Bomb Jack Twin não é uma aventura de 40 horas com árvore de habilidades e cut scenes dramáticos. É um jogo curto. Direto. Sem gordura. Mas esse é precisamente o seu charme.
O objetivo nunca foi “acabar o jogo” — era sobreviver mais um nível. Fazer mais pontos. Melhorar o recorde. Subir no ranking. Voltar a tentar. E tentar. E tentar.
Temos portanto um jogo muito próximo do original como todos nesta preservação histórica que a HAMSTER tem vindo a fazer. É incrivelmente jogável, simples de entender, difícil de dominar, mas praticamente impossível de largar quando entramos no ciclo de “só mais uma tentativa”.
Para mim, há também aquele lado emocional: é como fechar um círculo que começou no ZX Spectrum, passou pelas arcadas e agora regressa às consolas modernas.
Bomb Jack Twin não é apenas uma relíquia — é um lembrete. De uma era em que os jogos eram simples na forma, brutais na execução e absolutamente viciantes.
E agora, se me dão licença, tenho um recorde para bater. Só mais uma tentativa. Prometo.
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.




