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Cinema: Crítica – Primata

Em Primata, o cineasta Johannes Roberts traz-nos novamente um filme de terror da vida animal, com um verdadeiro pesadelo tornado realidade.

A vida animal no terror tem criado verdadeiras histórias assustadoras. Afinal, O Tubarão é considerado como o primeiro blockbuster de verão. Mas décadas depois, o público está numa busca permanente de novas emoções, e Primata traz-nos uma verdadeira história de terror com um macaco aterrador.

Seguimos a vida de Lucy (Johnny Sequoyah), uma jovem que regressa a casa da sua família no Havaí, após uma longa ausência a recuperar da morte da sua mãe. Ao ver novamente a sua irmã mais nova Erin (Gia Hunter) e o seu pai, Adam (Troy Kotsur), ninguém está mais contente pelo regresso dela do que Ben, o macaco de estimação. Excepto que algo se passa com o pequeno amigo, tornando a sua noite de regresso num verdadeiro pesadelo.

Certamente inspirado pelo terror dos anos 80, um terror simples mas focado no seu conceito chave, contendo a experiência numa só absolutamente aterradora. É algo que o cineasta Johannes Roberts sabe fazer, e bem, com a experiência que tem, sobretudo, dos dois filmes 47 Metros, que só por si são em espírito uma versão moderna dos feitos de Spielberg com O Tubarão.

Com um argumento sólido e bastante consciente, é na forma violenta e gráfica que vemos Ben no seu estado mais agressivo, onde nada parece ser capaz de impedir o absoluto pior vindo do chimpanzé que todos acreditavam ser seu amigo. Para um antagonista animal, o filme nem dá grande oportunidade de criar uma ligação de empatia ou sequer pena por o que Ben está a passar e a fazer os outros passarem, com o ódio a consumir o coração e a mente.

Curioso é que Ben não é um macaco de verdade, nem inteiramente CGI, com o colombiano Miguel Torres Umba, um actor especialista em movimentos animais, ser quem dá vida ao chimpanzé, e dar uma camada de realidade que inova com as tecnologias presentes, o que torna a sua actuação ainda mais impressionante.

Nisto, Primata é um filme de puro terror, aterrorizante e perfeitamente capaz de traumatizar até o espectador mais confortável com o género, enquanto homenageia uma fórmula que não só é rara ver nos dias correntes, com também díficil de replicar sem cair inteiramente numa posição de ser tão absurdo que ninguém leva a sério. É aqui que a obra ganha principalmente, em não ter medo em demonstrar o pior cenário possível, deixar uma marca tão vincada. É garantido que jamais olharão para os macacos da mesma forma depois disto.

Nota Final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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