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Cinema: Crítica – Mercy: Prova de Culpa

Com a inteligência artificial a definir o futuro, Mercy: Prova de Culpa mostra-nos como serão os tribunais de amanhã.

Timur Bekmambetov é um cineasta conhecido pelo seu talento de integrar tecnologia nos seus filmes, tendo sido uma força importante na produção de filmes como Desprotegido e Pesquisa Obsessiva, onde a utilização de ecrãs é uma forma de contar a sua história. Com a chegada e presença cada vez mais frequente da inteligência artificial, Mercy: Prova de Culpa é um filme que pega na abordagem e oferece-nos uma obra emocionante sobre o que poderá ser o nosso futuro mais próximo.

O ano é 2029 e seguimos a história do detective Chris Raven (Chris Pratt), que acorda no tribunal pioneiro presidido pela juíza Maddox (Rebecca Ferguson), uma entidade de inteligência artificial avançada. Chris encontra-se acusado de ter assassinado a sua mulher, tendo 90 minutos para provar a sua inocência, custe o que custar.

Ainda que durante os primeiros minutos existe uma impressão que estamos uma futuro clássico dos filmes que iam directos para DVD, é quando a intriga realmente aparece que o tom muda o rumo para algo que verdadeiramente cativa. Uma vez estabelecidas as regras do dito jogo, como esta juíza funciona e o mistério que Chris está metido, é impossível não nos deixar levar em ver como isto tudo será resolvido, e se o protagonista está, ou não, a ser sincero no seu testemunho.

Durante toda esta aventura, acompanhamos em tempo praticamente real todo o processo de pensamento de Chris e daqueles que a estão dispostos a ajudar, com a autorização da juíza, que constantemente os lembra das limitações legais do seu apoio e como isso influência como o sistema encara a inocência do detective. 

É através de uma exploração de documentos, análise de vídeo vigilância, chamadas telefónicas, redes sociais e muito mais, que vamos angariando as pistas e as peças deste puzzle, enquanto a obra nos dá espaço suficiente para haver uma espécie de reflexão para onde a inteligência artificial caminha. Será que a possibilidade dos nossos órgãos governamentais estarão em boas mãos a julgarem a inocência ou a culpa de potenciais criminosos? Será que as provas, ou como elas são apresentadas, preto no branco, são suficientes para o que é essencialmente um computador, ser suficiente para decidir o nosso destino?

A combinação tecnológica com uma acção razoável abre portas para um filme decente, não complicando em demasia os seus conceitos e a sua execução alternativa, ainda que por vezes seja algo previsível. Não fosse a abordagem diferente de contar esta história a carregar aos ombros a narrativa, talvez o interesse não fosse tanto.

Assim, Mercy: Prova de Culpa é um filme que nos apanha pela forma que conta a sua história, deixando nas nossas mãos alguns pensamentos sobre se este futuro próximo deixa concluir a ideia da ficção científica passa a realidade científica.

Nota Final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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