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Cinema: Crítica – Marty Supreme

O novo filme de Josh Safdie leva-nos numa aventura ansiosa desportiva com Marty Supreme, protagonizado por Timothée Chalamet.

Quando Diamante Bruto saiu na Netflix em 2019, o mesmo voltou a definir a os irmãos Josh e Benny Safdie como uma das duplas mais fascinantes no cinema moderno, tal confirmado e elevando o talento que demonstraram em Good Time poucos anos antes, deixando tudo e todos ansiosos para o que iriam fazer a seguir. Acontece que os irmãos, apesar de não estarem chateados um com o outro, decidiram enverdar por dois caminhos diferentes, com Benny a realizar The Smashing Machine: Coração de Lutador, e Josh a abordar Marty Supreme.

Seguimos a história de Marty Mauser (Timothée Chalamet), um jovem apaixonado por ping-pong, com o sonho americano de se tornar no melhor jogador do mundo no desporto. Não permitindo que nada nem ninguém se meta no meio do seu derradeiro objectivo, este acaba metido num conjunto de situações desagradáveis, tornando a sua vida mais complicada que intencionado.

Se tudo indicava que este era o irmão que sabia induzir a ansiedade do espectador, confirma-se que Marty Supreme é uma viagem verdadeiramente emocionante, que nos leva à beira do assento e a desmistificar a personagem que vive e sobrevive no meio do caos, muito dele causado por ele próprio. O que poderia ser um simples filme sobre ambição desportiva, transforma-se muito rapidamente num estudo de um homem narcisista, onde Chalamet canaliza o seu derradeiro charme com a toxicidade e o desespero de Marty Mauser, mas este não está sozinho.

Raramente uma lenda se faz sozinha, ou pelo menos sem a perseguição e ofuscar as linhas morais daquilo que se acredita, numa missão de auto-destruição disfarçada com a necessidade inerente se deixar um legado, acima de tudo e de todos; como é a sua passagem com Rachel (Odessa A’zion), que está grávida, e que mesmo assim está ao lado de Marty; como também Kay (Gwyneth Paltrow), a actriz falida que serve como uma distração bem vinda ao objectivo de Marty, via o seu marido Milton Rockwell (Kevin O’Leary, o famoso Mr. Wonderful do Shark Tank), cujo interesse no ping-pong vem numa perspectiva mais comercial. Todos estes e muitos mais passam pelo tornado que é a vida de Marty, oferecendo muitos momentos memoráveis.

Nada disto era possível não fosse o incrível talento de Josh Safdie, e a direcção de fotografia de Darius Khondji, numa rodagem maioritariamente feita em 35mm e o uso de máquinas vintage, que oferece um visual intemporal e que nos situa verdadeiramente no momento, É um feito muito bem-vindo numa era principalmente digital, sobretudo quando concretizado de uma tão perfeita.

Assim, Marty Supreme é um filme obrigatório para se ver no grande ecrã, não recomendado a aqueles com problemas cardíacos, mas a todos que acreditam que o sonho é maior que literalmente tudo o que existe na vida, deixando para trás a inspiração que todos precisamos de vez em quando.

Nota Final: 9/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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