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Berlinale anuncia competição diversificada

A 76.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) volta a afirmar-se como um dos grandes barómetros do cinema mundial, ao revelar uma seleção marcada pela diversidade estética, geográfica e temática, combinando autores consagrados, novos talentos, cinema político, animação, documentário e forte presença de coproduções internacionais .

At the Sea, de Kornél Mundruczó

Na Competição da Berlinale 2026, 22 filmes disputam o Urso de Ouro e os Ursos de Prata, representando 28 países, com 20 estreias mundiais. A seleção inclui uma primeira longa-metragem, um filme de animação e um documentário, refletindo a amplitude formal que tem caracterizado o festival. Nove obras são assinadas ou coassinadas por realizadoras, e 14 cineastas regressam a Berlim, seis deles já com histórico na Competição.

A diretora do festival, Tricia Tuttle, sublinhou o entusiasmo da equipa de programação:

“Estas 22 obras mostram como o grande cinema é diverso em 2026 — da comédia satírica ao western, do thriller psicológico à animação, do amor ao autoamor.”

O júri será presidido por Wim Wenders, e os prémios serão anunciados a 21 de fevereiro.

Narciso, de Marcelo Martinessi

Entre os títulos mais aguardados está Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz, uma sátira contemporânea protagonizada por Riley Keough, Callum Turner, Elle Fanning, Pamela Anderson e Jamie Bell, descrita como um “thriller distorcido sobre uma família privilegiada em colapso”.

Outro destaque é Josephine, de Beth de Araújo, com Channing Tatum e Gemma Chan, um thriller psicológico centrado num casal confrontado com a violência e a perda da sensação de segurança familiar.

A competição inclui ainda Amy Adams, em At the Sea, de Kornél Mundruczó; Juliette Binoche, em Queen at Sea; e Sandra Hüller, protagonista de Rose, de Markus Schleinzer. Regressam também nomes como Angela Schanelec, Fernando Eimbcke, İlker Çatak e Alain Gomis, confirmando a Berlinale como espaço de continuidade autoral.

Refúgio do Medo (Cold Haven)

A presença portuguesa volta a ser particularmente expressiva, tanto nas secções cinematográficas como no Berlinale Series Market Selects, que decorre entre 16 e 18 de fevereiro.

Entre os projetos de séries, destaca-se Leonor, Marquesa de Alorna, produzida pela Ukbar Filmes, em coprodução com a espanhola Tornasol Media, baseada no romance de Maria João Lopo de Carvalho. A série, protagonizada por Sara Matos, recupera a figura de Leonor de Almeida Portugal, escritora e intelectual do século XVIII, e deverá estrear ainda este ano na RTP.

Marca também presença a série policial Cold Haven, coprodução da islandesa Glassriver com a portuguesa SPi, escrita por Filipa Poppe, Joana Andrade e Sveinbjorn Baldvinsson, com elenco português liderado por Catarina Rebelo, Maria João Bastos e Ivo Canelas. A série estreia na RTP a 29 de janeiro, sob o título Refúgio do Medo.

Nosso Segredo, de Grace Passô

No cinema, Portugal surge associado a várias coproduções relevantes, como Nosso Segredo, de Grace Passô, uma estreia mundial na secção Perspectives, coprodução Brasil–Portugal; Piedras Preciosas, de Simón Vélez, e Narciso, de Marcelo Martinessi, ambos com participação portuguesa e estreia mundial.

Feito Pipa, de Allan Deberton

O cinema brasileiro é um dos grandes protagonistas da Berlinale 2026, com obras distribuídas por Panorama, Forum, Generation, Forum Expanded e Perspectives, refletindo vitalidade artística e diversidade de vozes.

Entre os destaques estão Se eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira; Isabel, de Gabe Klinger; Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha, de Janaína Marques; e Feito Pipa, de Allan Deberton. A animação Papaya, de Priscilla Kellen, e o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, reforçam a presença brasileira nas secções dedicadas ao público jovem.

O Forum Expanded acolhe ainda Floresta do Fim do Mundo, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa, uma curta-metragem que cruza identidade indígena, sonho e crise ambiental.

A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai

Combinando estreias mundiais, estrelas internacionais, cinema politicamente engajado e forte aposta em novos talentos, a Berlinale mantém o seu papel central no circuito dos grandes festivais, afirmando-se como espaço de descoberta, debate e diversidade.

Sob a direção de Tricia Tuttle, no seu segundo ano à frente do festival, Berlim reforça a ambição de dialogar com Cannes e Veneza, sem perder a sua identidade singular: um festival atento ao mundo contemporâneo, às margens e às coproduções que hoje definem o cinema global.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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