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Cinema: Crítica – Anniversary – Mudança Radical

O cineasta polaco Jan Komasa continua a sua jornada no cinema norte-americano com um thriller político que promete deixar que pensar, em Anniversary – Mudança Radical.

Uma das coisas que se ouve há muitos anos que há três coisas que não se devem falar na mesa: futebol, religião e política, que dará sempre para o torto. A modernização deste último tópico, permanentemente presente nas nossas vidas diárias, acaba por dar azo a múltiplas ideias e interpretações, sobretudo no clima que se vive hoje, sobretudo nos Estados Unidos. O cineasta polaco Jan Komasa, que viu o seu filme Corpus Christi a ser o escolhido para representar o seu país nos Óscares em 2020, traz-nos agora Anniversary – Mudança Radical.

Seguimos a vida de Ellen (Diane Lane), uma professora académica que durante a celebração do seu 25º aniversário do seu casamento com Paul (Kyle Chandler), vê a sua vida em sarilhos quando se apercebe que o seu filho Josh (Dylan O’Brien) namora com uma das suas ex-alunas, Liz (Phoebe Dynevor), conhecida pela sua ideologia extremista debatível. O filme introduz-nos a esta família tradicionalmente americana de uma forma bastante eficiente, já que todos os membros são uma peça fundamental deste puzzle, da qual se juntam Cynthia (Zoey Deutch) e o seu namorado Rob (Daryl McCormack), Birdie (Mckenna Grace) e Anna (Madeline Brewer).

Desde dos primeiros momentos percebemos que Komasa traz uma sensibilidade europeia ao grande tópico político norte-americano, numa espécie de visão do lado de fora para dentro, e uma teoria que desafia a lógica para além dos extremos à esquerda e à direita. É uma abordagem frequentemente desconfortável, ao vermos a semente plantada a colher os seus frutos ao longo de cinco anos, enquanto a família adapta-se à nova realidade, liderada por aqueles com novas ideias e pensamentos.

O filme força-nos a olhar para os paralelismos do mundo real e perceber o que faríamos se algo do género acontecesse deste lado da tela, e como iriamos reagir à mudança, algo que o filme demonstra via uma série de situações específicas e altamente plausíveis, capazes de deixar-nos a rir de nervoso.

Com um elenco de luxo e relativamente conhecido pelo público a apoiar toda a estrutura narrativa da obra, a maioria explora as suas personagens dentro do máximo potencial de cada uma, sendo perfeitamente capazes de manter de forma consistente ao longo de um filme inquietante, onde o rumo da história deixa-nos com alguma ansiedade.

Com isto, Anniversary – Mudança Radical irá ser certamente um dos melhores segredos guardados do ano, num filme que nos deixa a questionar como a ficção tão próxima da realidade, se esta não irá inspirar para uma revolução na vida real, ou se apenas ficará como um exercício em personificar uma teoria. De qualquer modo, é um filme que nos deixa à beira do assento, nervosos e ansiosos, até ao último segundo.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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