Cinema: Crítica – Keeper: Para Sempre
Osgood Perkins regressa mais uma vez ao grande ecrã com Keeper: Para Sempre, a sua terceira colaboração com a NEON, num filme protagonziado por Tatiana Maslany.
A colaboração da NEON e Osgood Perkins tem sido intensa no último ano e meio, com três filmes a serem estreados num curto espaço de tempo, começando com o muito aplaudido O Colecionador de Almas, seguido por O Macaco, adaptando a obra de Stephen King. A parceria continua com Keeper: Para Sempre.
Conhecemos Liz (Tatiana Maslany), uma mulher que vai de viagem até à cabana do seu namorado Malcolm (Rossif Sutherland), onde o seu fim de semana romântico rapidamente se torna surreal, com Liz a experienciar a presença de algo mais que o casal.
Estamos perante um filme que demora algum tempo até entrar no seu ritmo e ir revelando os segredos da cabana, com um sentimento constante de claustrofobia, onde a própria casa frequentemente se faz sentir como uma das personagens do filme. O mistério, que se vai revelando aos poucos durante pouco mais de hora e meia de filme, deixa-nos algo intrigados e hipnotizados sobre o caminho que o mesmo toma na sua jornada, numa abordagem muito em volta de uma atmosfera inquietante e sonhadora.
Aqui, Perkins puxa-nos para um filme intencionalmente lento, permitindo que exista algum tipo de crescendo até ao final, ainda que a narrativa seja maioritariamente previsível, mesmo quando introduz alguns elementos de folk que tentam diferenciar a obra dos demais, acabando por se ir perdendo na sua redundância.
Acontece que é deixada uma enorme impressão que as intenções cinematográficas de Perkins são, no mínimo, estranhas. A sua popularidade com O Colecionador de Almas – um thriller bem construído e coerente, agarrando o espectador com um antagonista forte – e depois O Macaco, cuja adaptação, aprovada pelo autor original, demonstrou um lado mais leve e divertido do cineasta. No caso de Keeper: Para Sempre, este deixa perdurar um sentimento de indiferença narrativa, estando em piloto semi-automático, deixando demasiado potencial em cima da mesa.
Nem a actuação sólida de Tatiana Maslany é capaz de suportar o restante denominador, com a actriz a ter que passar por várias fases de medo, confusão e loucura, numa história que lhe força a estar ao centro e demonstrar os seus talentos da forma mais nuançada possível, tudo para tornar a sua personagem em quem ela mais precisa de ser.
Assim, Keeper: Para Sempre é um filme que poderá agradar alguns fãs do género e os mais dedicados de Osgood Perkins, mas para os restantes, estes verão através de um filme que poderia ser superior, se este aproveitasse melhor as oportunidades do argumento e corresse mais riscos em se tornar verdadeiramente memorável. Ainda assim, mantém-se firme dentro do seu nicho.
Nota Final: 6/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




