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Cinema: Crítica – Anjo da Sorte

Aziz Ansari protagoniza e realiza Anjo da Sorte, uma comédia hilariante com Keanu Reeves, Seth Rogan e Keke Palmer, num filme de rir à gargalhada.

Os anjos – como conceito e não a dupla de cantores – têm sido um algo retratado no cinema em formas variadas, desde Nicolas Cage em A Cidade dos Anjos, ou Brad Pitt em Conhece Joe Black?, que durante os anos 90 alimentavam um fascínio sobre os ideais destes. Em Anjo da Sorte, vemos Keanu Reeves no papel de anjo, num filme protagonizado e realizado por Aziz Ansari.

Conhecemos Arj (Ansari), um jovem a perdurar as dificuldades da vida em Los Angeles, tendo que ter vários empregos apenas para sobreviver. A certo dia, este torna-se assistente pessoal de Jeff (Seth Rogan), um tech bro cuja riqueza pessoal de invejar faz com que Arj a pensar onde é que deu tudo errado. Quando Gabriel (Reeves), o seu anjo da guarda, decide dar um vislumbre a Arj do que poderia ser a sua vida, este vê a vida de outro modo, mas nem tudo o que aparenta é a realidade.

Não poderia haver melhor ensemble para uma comédia do género, com Ansari e Rogan juntos com Keke Palmer, efectivamente fortificando a relação de cómicos, num filme feito para demonstrar os seus talentos inatos de fazer rir. Pelo meio Reeves parece estar a desfrutar ao máximo a oportunidade de poder encarnar finalmente uma personagem que não mate ou sequer envolva qualquer tipo de armas, com uma personagem com um charme inigualável.

Anjo da Sorte é um filme que certamente terá por base o mesmo género de comédias que frequentemente víamos após o início do novo milénio, que capitaliza no chamado star power – poder da estrela – num filme cuja descontração e a sua positividade criavam um ambiente familiar e de boas-vindas. Ansari capta esse sentimento na perfeição, e não é a primeira vez que o faz – tendo conseguido algo semelhante na série da Netflix de sua criação Master of None.

Debaixo das camadas optimistas do filme, é notável a obra ser uma crítica de mão leve ao capitalismo e aos 1% da vida, cujas vidas de ostentação causam um contraste ainda maior com as várias crises sociais existentes, sobretudo nos Estados Unidos, onde alguém poderá fazer tudo certo e mesmo assim ver-se numa vida desconfortável, tendo que lutar dia após dia apenas para a sua sobrevivência. 

Assim, Anjo da Sorte é uma comédia acessível e extremamente positiva, na cara de uma situação difícil de gerir. Com um elenco notável, é garantido um bom serão, com muitos risos e alguma introspecção.

Nota Final: 6/10



Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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