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Cinema: Crítica – Buzzheart

O cinema grego, e tudo o que nos intriga sobre ele, volta a estar em destaque no MOTELX, com Buzzheart, o mais recente filme de Dennis Iliadis.

A chamada vaga Grega Estranha do cinema europeu, que existe e persiste há pouco mais de década e meia, com Yorgos Lanthimos a ser dos realizadores mais proeminentes, muito devido também ao seu reconhecimento internacional, vê hoje o sub-género a ser explorado por outros cineastas a não terem receio em mostrar as suas visões mais satíricas ou subvertidas, repletas de momentos estranhos e humor que se recusa a concordar com toda a gente. Por vezes o cinema de género acaba, inadvertidamente, ou não, por dissipar neste movimento cinematográfico, como é o caso de Buzzheart, o mais recente filme de Dennis Iliadis.

Seguimos a história de Argyris (Claudio Kaya), um jovem que conhece Mary (Konstantina Messini), um amor à primeira vista que acaba com Argyris a ir numa viagem com a família de Mary, para um fim-de-semana no campo. Como bons pais que são Yorgos e Sandra (Yorgos Liantos e Sandra Papoulia, que já foram casados na vida real), estes realizam uma série de testes para determinar se o jovem vale a companhia da sua filha.

O que começa por ser um encontro improvável, este rapidamente escala para um jogo intenso de perguntas e questões, algumas profundas, outras nem tanto, mas é numa intenção obscura que tentamos compreender o que está a acontecer a Argyris e os seus sentimentos por Mary, como também o objectivo disto tudo do lado dos pais, onde há um sentimento constante que algo não está certo.

Esta disfunção questiona o quão longe alguém é capaz de ir pelo amor, e oferece-nos uma oportunidade de reflexão dos limites tóxicos entre controlo e preocupação, de uma forma que apenas poderia ser feita dentro desta vaga Grega do cinema, interligando na narrativa o mito, a tragédia e a violência, como também os risos nervosos que tudo isto causa.

Iliadis também traz à mesa toda a sua experiência em Hollywood para um ambiente europeu, conseguindo equilibrar de bom modo o terror indie norte-americano que tem ganho os seus fãs, como todo o risco estranho que frequentemente vemos no cinema europeu de género, permitindo que levemos a seriedade da situação com uma certa leveza.

Enquanto que Kaya interpreta muito bem o papel de rapaz tímido e apaixonado, e confuso com tudo o que está a acontecer, é Messini quem rouba o espectáculo, com a sua profundidade misteriosa, que nos deixa verdadeiramente nervosos, com uma ansiedade por vezes alarmante.

Assim, Buzzheart é mais uma entrada interessante vindo do cinema Grego, que continua o trilho de um sub-género com vida própria, sem medo de arriscar e ser julgado pelas suas decisões criativas, mantendo-nos cativados e em bicos dos pés.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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