“World Of Horror” – Análise – Um pesadelo com que queres sonhar!

World of Horror é um RPG de terror de uma beleza estética ímpar, com um estilo de arte inspirado no artista de manga Junji Ito e do escritor H.P. Lovecraft. Os seus cenários são apresentados em 1 bit, com apenas duas cores no computador, um jogo ao estilo oldschool com elementos de roguelite, combate por turnos, quebra-cabeças e investigações com desenlaces à escolha.

Kozminiski já trabalhava no jogo como um hobby, quando um dia, por acaso, se encontrou com a editora Ysbyrd Games, o que teve como resultado que esse tempo de lazer fosse transformado num emprego que concretizou o recém-chegado World Of Horror.

A arquitetura de World of Horror decora os seus locais de exploração como uma cena recente de um assassinato, cada cidadão parece deformado, uma espécie de mutação monstruosa que se alastra rapidamente e se alimenta da fragilidade. Tudo ocorre numa pequena vila sobre a encosta no Japão, durante os anos 80, onde Deuses antigos ameaçam despertar, provocando a loucura nos lugares planeados para essas reaparições. Estamos no fim do mundo e, como uma das cinco personagens disponíveis para o gameplay , ainda com a sua sanidade presente, somos convidados a esmiuçar detalhes de pesadelos que renegam a realidade.


Quando iniciamos a nossa jornada, passamos pelo primeiro dos cinco mistérios possíveis, de um total de 15 a 20. Cada um dos enigmas estão na base do seguinte e vice-versa, de acordo com Kozminski (criador do jogo), quando solucionamos o quinto desafio ficamos já num nível capaz de alterar o massacre à humanidade
À medida que avançamos, ganhamos ou perdemos pontos a partir de uma estatística apoiada nosso grau de doom, veículo que representa o efeito que as ações que tomamos têm no apocalipse próximo. Se essa acumulação de experiências terríveis chegar aos 100% somos dirigidos a uma espécie de game over ou boss muito além dos nossos poderes.
Em combate existe a possibilidade de optar por corpo a corpo, que causa um dano mais leve, ou equipar armas como facas, machados para obter mais danos. O modo dos confrontos reside numa certa quantidade de tempo por turno, com cada ato a ocupar um valor definido. O senão do jogo é que estas batalhas rapidamente degeneram, é aborrecido e chato o facto de terem construído um jogo de sueca ou póquer quando enfrentamos o mal, torna-se repetitivo e pouco prazeroso, anulando a total imersão no jogo, lembrando ao jogador que se encontra atrás de um ecrã e provocando-lhe a impotência das emoções pela delonga que cada movimento eleito aufere.
É graças à dinâmica das pesquisas pelas várias zonas do mapa que estas questões podem ser parcamente absolvidas. Nestas missões não há estruturas lentas, ou incursões usuais e arcaicas em ruínas isoladas da linha da história. O jogador é antes maravilhado com o bizarro e o grotesco, que funcionam como uma caixa inovadora pronta a positivamente assustar e intrigar.

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A banda sonora de World Of Horror define o suspense e o clima que o circundam, os efeitos sonoros das criaturas e os sons dos “caminhos diários” têm uma sensação palpável e tangível de mudança por nós, dá rigor e poderio ao jogador, enquadrando os seus cinco sentidos na trama.

A vulnerabilidade e a força são as palavras de ordem neste jogo que promete virar cabeças, metaforicamente e literalmente.

Nota final: 8/10

Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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