Jogos: Infliction: Extended Cut – Análise – Família (in)feliz

O jogo de terror Infliction: Extended Cut, chegou ontem à PS4, Xbox One e o Central Comics já testou! Querem levantar o rabo da cadeira com uns valentes sustos?

Realizado por um criador indie: a Caustic Reality, este jogo certamente impressionou. Não é o típico ambiente de terror que se misture ou fique na sombra de outras influências, demonstra uma identidade ao longo do seu gameplay e prescinde por completo do vírus que é distinguir “uma agulha num palheiro”. É um jogo que deixa a sua marca narrativamente e pessoalmente quando reparares que estás repetidamente a olhar para trás e a acender muitas luzes.


A história começa quando chegámos à nossa casa, e a tarefa é simples: encontrar os bilhetes de avião, que a nossa esposa supostamente se esqueceu. Ora, claro que isto se desdobra em muitas mais coisas, à medida que avançamos vamos desbloqueando memórias escondidas da nossa vida familiar, do agradável cor de rosa ao perturbante vermelho sangue, lidamos com temas sérios de dependência, depressão e abuso doméstico (uma aproximação a experiências reais), obtemos clipes de voz que ajudam a preencher as lacunas, percorremos corredores escuros, esquivamos ataques de um fantasma perseguidor e de outros monstros, e ocasionalmente resolvemos quebra-cabeças ambientais com o auxílio da nossa Polaroid.

Deste modo se vão preenchendo um a um, os pontos necessários para um bom jogo de horror: é tenso, o enredo é interessante e a componente de investigação é excitante, já que até o objeto mais banal preenche vazios. Os detalhes colocados em cada centímetro dos níveis são surpreendentes, uma vez que toda a decoração e atmosfera da casa vais mudando com o aprofundamento da nossa exploração.

Possivelmente estas novas visões podem promover novas rotas para o panorama dos produtores de terror, sendo que a atração principal é o cenário melódico e não os monstros que vagueiam pelos corredores! O design do som é excelente, a sensação de desconforto aprofunda-se de uma maneira realmente satisfatória, a distorção do que tomávamos já por garantido é a festa surpresa para o jogador.

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De certa forma, é quase uma carta de amor para obras primas como “Gone Home” e “P.T.” que socam precisamente os cinco sentidos e provocam a imersão necessária para a diversão e o pavor. O diabo está nos pormenores, ter noção disso e perceber que arriscando se faz mais, surge um jogo como o “Infliction: Extended Cut”.

Porém o defeito reside no tempo de ecrã dessas belas minúcias da exploração, o jogador acaba por ter que se apressar quando existem bilhetes, cassetes, fotos para ler, ver e descobrir e telefonar e artigos de jornal, além de não ser capaz de apreciar as paisagens que se vão deteriorando enquanto repetidamente escapamos para o próximo local de fuga(dentro do armário, debaixo da cama etc.) para ficar longe dos assombros… o que não coopera nada com a apreciação de planos que o jogo merece. Outro fator irritante é que algumas das cenas sejam baseadas em tentativa e erro, forçando-nos a procurar tudo com cuidado (pressão dos prazos) ou assistir a morte após morte até encontrarmos o sítio certo, o que anula o prazer e a diversidade.
Em suma, “Infliction: Extended Cut” passa-se em mais ou menos quatro horas, é curto e, em termos de jogabilidade, a mecânica oferecida aqui é superficial, não permite a total perceção de todos os motivos e desenlaces da história, no entanto, é arrepiante – Aí não conseguimos pedir mais, ficamos cheios e saciados.

Este jogo está agora disponível no PC, Nintendo Switch, Playstation 4 e Xbox One com extra gráficos e alguns jumpscares adicionados.

Nota: 8/10

Raquel Rafael

Da marginalidade à pureza gosto de sentir tudo. Alcanço o clímax na escrita. Sacio-me com a catarse no teatro. Adiciona-se uma consola, um lightsaber, eye makeup quanto baste e estou pronta a servir.

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