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Crítica BD – “Os Covidiotas” – O glossário da pandemia

Luís Louro, um incansável criador português, tem no seu catálogo livros como: “Roques & Folque”, “O Corvo”, “Alice na Cidade das Maravilhas”, “Coração de Papel”, “O Halo Casto”, “Cogito Ergo Sum”, “Éden”, etc. Tem tido o seu trabalho presente em diversas exposições e festivais, nomeadamente várias vezes no Amadora BD.

Esta sua nova ideia original, “Os Covidiotas”, é uma compilação humorística de todas as peculiaridades de um ser humano em pandemia.

As cenas são apresentadas em formato cartoon, em cada um destes gags, o leitor acha episódios mais caricatos do povinho que se recusa cumprir medidas de proteção, assim como citações de vários políticos, Bolsonaro e Trump, têm especial destaque nas 154 tiras, porque, de facto, eles são os finalistas do campeonato dos Covidiotas, como refere Louro.

São crónicas diárias, de coisas que assistimos, de coisas que nos assustaram (e ainda assustam), mas acima de tudo é uma obra recheada de comédia negra racional. Uma preservação da saúde pública.

A linha de escrita segue as várias fases do vírus, desde o seu aparecimento, até ao estado de emergência, até à abertura de portas e as subsequentes novas vagas e mutações da doença.

Ao estilo de Gil Vicente, Luís Louro constrói um belo teatro jocoso, dando-nos a conhecer outro rol de personagens fixos, são eles: um polícia, o bombista Ahmed e claro a população em geral que se divide entre os jovens ignorantes, os adultos com manias e os velhos teimosos.

Quanto aos desenhos, identifica-se pelo género do livro um traço mais simples, porém não poupa esforços quanto às formas fartas, seja nos grandes narizes, seja nos grandes peitos, seja nas grandes bolas de praia versão Covid-19.

Deste modo, as figuras são tão bizarras quanto os acontecimentos relatados, controvérsias que acontecem nas ruas e nos media.

Esta é uma edição da Ala dos Livros, de capa mole, cujo formato é horizontal, os diálogos encontram-se no rodapé dos gags.

Outra ideia sublime, é a oferta de uma máscara e de um pedaço de papel higiénico mal abrimos “Os Covidiotas”, plus um carimbo oficial da obra.

Desta forma já é possível carregar esta BD, como um livro quase de bolso, relembrando aos cegos comuns qual a peregrinação correta.

Em suma, nem tudo é cómico nesta composição de Luís Louro, vêem-se piadas secas, vêem-se tópicos sensíveis virados do avesso, porém é para isso que cá estamos, para reescrever e, se praticável, cimentar as gerações.

Autor: Luís Louro
Ilustração: Luís Louro
Género: Banda Desenhada, Cartoon
Editora: Ala dos Livros

Argumento: 8
Arte: 7
Legendagem: 7
Veredito final: 7

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