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Crítica BD – Vazio – Qual a nossa real morada?

Chega-nos pela editora Escorpião Azul, a banda desenhada com o título de “Vazio”, por Carlos Páscoa.Escorpião Azul em 2022 - Bandas Desenhadas

A sua narrativa apresenta-nos Ric, um rapaz que vive no meio de um deserto cinzento, vazio e árido, é assim desde sempre, não sabe como ali chegou. O que resta da sua imaginação e das suas memórias regressa, inesperadamente, na pele de Melina, para lhe mostrar como existe mais mundo para lá do horizonte.

É um registo próximo do género de fantasia e aventura, numa viagem onde os únicos limites são o medo e a imobilidade perante o desconhecido. Observamos paragens oníricas, mas sempre com uma clara e bem conseguida ponte com a realidade. No fundo, trata-se de uma alegoria para a nossa própria existência.

É a partir das palavras de Melina, a figura que personifica o lado mais aventureiro de Ric, que então mergulhamos num conto dentro de um conto, em que Melina partilha o que vivenciou em pleno alto-mar e com um velho lobo do mar que conheceu, encontro esse que a fez refletir sobre si mesma e o seu papel perante a vida.

Esta obra é urgente, num mundo onde a magia das pequenas coisas parece estar a findar, onde o dia-a-dia é a repetição do dia anterior e onde o espaço para a reinvenção e criação autónoma é cada vez mais curto, precisamos realmente de um estimulante assim, para repensar, para tomar iniciativa e agarrar o leme.

Fiquei bastante agradada com o traço da BD – bastante dinâmica, com uma estética muito distinta. As suas ilustrações a preto e branco são muito bonitas, com personagens marcantes, portadoras de um bom grupo de emoções, muito bem representadas por Carlos Páscoa. Os ambientes e estados do tempo em cada momento da história são igualmente de louvar, somos arrastados para o centro da tempestade, graças a uma linha impressionante e rica em detalhes.

Vazio”, revela-nos o quão confortável o silêncio pode ser, se compreendido, se respeitado. É um espelho para um outro universo, que apesar de diverso, se identifica com a incoerência dos nossos desejos conformados.

Nós controlamos o caminho, não ao contrário. Nós lançamos a semente, se lhe virarmos costas e recostarmo-nos num qualquer jardim mais previsível, nada muda, a coragem desvanece.

Sonha-se em vão, sonha-se só.  

Carlos Páscoa, nasceu em Beja em 1977. Publicou as suas primeiras Bandas Desenhadas a partir de 1996, quando começou a frequentar o atelier Toupeira. Participou em várias exposições e foi publicado em numerosas coletâneas de BD, tanto do atelier Toupeira (Venham+5, Lua de Prata, Pax-Fanzine) bem como no coletivo Zona (Zona Nippon, Zona Desenha 2012, Zona Negra II), e mais recentemente na antologia “Humanus” da Escorpião Azul. Em Lisboa, completou o curso de Arquitetura de Gestão Urbanística da FAUTL em 2008. Trabalhou em arquitetura, urbanismo e marketing até 2013, ano em que se mudou para Londres, onde viria a trabalhar até 2017 como designer gráfico. No mesmo ano, em 2013, conheceu David Lloyd, coautor de “V For Vendetta” e “Hellblazer” e começou a publicar BD na sua antologia semanal Aces Weekly, onde, aliás, continua a publicar regularmente.

Autor: Carlos Páscoa
Ilustração: Carlos Páscoa
Género: Banda Desenhada, Aventura, Fantasia
Editora: Escorpião Azul
Argumento: 8
Arte: 8
Legendagem: 5
Veredito final: 8

3 thoughts on “Crítica BD – Vazio – Qual a nossa real morada?

  1. desenho é horrível, história é uma merda, a Rafael que vá ler literatura clássica antes de arrotar postas de pescada!!

  2. É para “gente” como o Rafa que a internet é uma coisa maravilhosa. Gostaria imenso de ver e ler a BD que ele faz.

  3. “Rafa” / “Penas” / “…” é um ser que precisa de atenção.
    Destila ódio e arrogância com a mesma necessidade que as pessoas precisam de oxigénio. Falta-lhe também carácter em assumir quem é, escondendo-se num pseudónimo aleatório, o que pode indiciar uma coluna vertebral gelatinosa. Alia-se ainda ao perfil a posição ditatorial sobre a liberdade de uma pessoa poder ter uma opinão diferente da sua.

    Na explanação da Raquel Rafael ficou claro que, pelo menos, sabe que o início de uma frase se faz com letra maiúscula, algo que “Rafa” / “Penas” pode agora aprender com ela.

    Quanto ao arrotar postas de pescada, o que indicia que “Rafa” / “Penas” / “…” pode ter estado perto dela durante uma refeição, é um sinal que esta lhe terá sabido bem. Digo-lhe, que se foram assadas com batata, já me abriu o apetite.

    Termino com um beijo para si “Rafa” / “Penas” / “…”, com os votos de rápidas melhoras.

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