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Crítica BD – Umbigo do Mundo vol. 1 : Alma Mãe

A Coleção Comic Heart pertence à editora A Seita destinada à publicação de obras de autores portugueses. “Umbigo do Mundo vol. 1 : Alma Mãe” é membro dessa biblioteca.

Nesta BD, simultaneamente utópica e distópica, o mundo sonha, mas não concretiza, cidades e ideais em ruínas, doenças irreversíveis, conflitos e mortes.Umbigo do Mundo vol. 1 : Alma Mãe

Esta é uma enumeração que desequilibra a vida sustentável tão apetecida. Reflete, exatamente, um continente onde já não existem países, onde não há lugar para a solidariedade, nem para com o próprio planeta. O interesse é singular, numa terra coletiva.

Achamos uma trama cativante, com consciências e enredos bem trabalhados, um universo criativo com uma bela base de ficção científica.

Da Síndrome de Jordi, um dos muitos desaires relatados na obra, uma misteriosa praga responsável pela morte de uma grande parte das mulheres, ascende uma das sobreviventes, Alma, a mesma traz consigo uma família que não tem – um rapaz em busca da mãe, um soldado que fala com os mortos, um androide burlesco e um mabeco.

Sendo o primeiro volume da série, faz uma excelente introdução aos principais intervenientes da história, apesar das diferentes muralhas físicas e mentais que achamos na exploração das cenas.

As disposições das páginas foram estudadas ao milímetro, e os desenhos detalhados captam a atenção do leitor. Desde referências à cultura pop, até às minúcias arquitetónicas, é fascinante deambularmos com o olhar pelos espaços e pela extraordinária paleta de cores.

Um setback substancial que achei no livro, foi a nudez inexplicável de Alma, ou a falta de trajes… Não adiciona qualquer sentido ao plano narrativo e, na minha opinião, só confunde e “suja” as imagens. Sugerindo até uma objetificação da mulher completamente desnecessária e ultrapassada.

“Umbigo do Mundo vol. 1 : Alma Mãe”, tem (quase) tudo para singrar como uma nova série nacional. É inovador, emocional e a sua ficção adapta-se e entranha-se, quer no plano privado do público, quer no plano geral das várias situações socias e globais.

É um mergulho a experimentar.

Esta BD assinala o regresso de Penim Loureiro, professor no Instituto Politécnico de Lisboa e ilustrador com uma construção que sempre cruzou a arquitetura com a banda desenhada, publicou a primeira BD em 1979. Premiado com o Troféu Central Comics para o Melhor Desenho em 2016, foi o autor convidado para desenvolver um projeto em parceria com a Vista Alegre que une a BD e a porcelana. 

Carlos Silva, é escritor de ficção científica e fantasia com contos publicados em Portugal, Espanha e Brasil. O seu romance Anjos ganhou o Prémio Divergência em 2015. É coautor da biografia em banda-desenhada de Rafael Bordalo Pinheiro, editada pelo museu dedicado a este artista, que ganhou o prémio de Melhor Publicação Independente dos Troféus Central Comics 2020.

Autor: Carlos Silva
Ilustração: Penim Loureiro
Género: Banda Desenhada, Ficção Científica
Editora: A Seita
Argumento: 7
Arte: 8
Legendagem: 7
Veredito final: 7

3 thoughts on “Crítica BD – Umbigo do Mundo vol. 1 : Alma Mãe

  1. “tetas vendem, o que não percebes?”

    É possível, escrevo eu, que a autora questione a gratuitidade, no seu entender, com a introdução da nudez.
    A gratuitidade em toda a arte, é comumente, uma máscara que se usa para esconder aquilo que não é bom. O espetador passa a apreciar a máscara em vez da cara.

    Uma pergunta se impõe, então:
    – Por que se usa uma máscara quando a cara está bem?

    Talvez esta pergunta se funda com o próprio universo da história: Uma sociedade “Selfish” que poderá ter (des)evoluído de uma “Selfie”, esta em que nos encontrámos, instagramável.

    Talvez a autora busque aquilo que todos deveríamos buscar: o conteúdo. Não será a ausência de conteúdo, a necessidade de umas tetas para vender, que nos direciona para o “Umbigo do Mundo”?

    Uma série com esta qualidade não necessita dessa gratuitidade, certamente.

  2. O Cunha deve ser ingénuo para se deixar levar por essa…
    e também é um machão que não desarma – afinal ataca as tetas mas não fala da objectificação do corpo como tão bem a Rafael indica.
    vá enganar quem quiser!

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