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Crítica BD – The Curse of The Fox Fire

“The Curse of the Fox Fire” – volume 1 por Maru-n, a autora, que tinha assinado com o nome de Maria Borges diversos yonkomas da série Ayaka e Yuki nas publicações Banzai #4 (2014) e Jankenpon #0–2 (2015-2016), continua a apostar na estética da BD japonesa no seu trabalho.

Inclusivamente, a sua dissertação de mestrado intitula-se “A Banda Desenhada enquanto meio de comunicação visual: um contributo na divulgação do folclore japonês” (Escola Superior de Design – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, 2020).

The Curse of the Fox Fire

Este primeiro volume de The Curse of the Fox Fire −狐火の呪い− compila os primeiros três capítulos da banda desenhada, num total de oitenta páginas, que se encontram em língua inglesa.

Após a morte do seu avô, Sayuri parte numa aventura até à aldeia em que os seus avós cresceram, durante o seu caminho cruza-se com diversas questões, cada uma delas de resposta difícil. Esta é uma viagem ao passado, mas também à memória e o que ela representa para o futuro. A ação passa-se num local peculiar em que abrir as janelas depois de escurecer, é proibido, quem arriscar nunca mais será o mesmo…

Neste suspense que se instala, inicia-se uma jornada misteriosa e simultaneamente divertida em busca dos segredos, em busca de um conhecimento que vá além.

Neste sentido, o mangá pode ser enquadrado no universo shounen (histórias para um público jovem) e tem como géneros literários um pouco de drama e claro fantasia, onde podemos adicionar o lado folclórico do país do Sol nascente que nos é dado logo na imagem da capa, dado que a personagem principal aparece a segurar uma máscara de Kitsune (raposa) ou nos Yokai que aparecem ao longo do mangá.

O título em inglês e japonês não é por acaso, este mangá começou por ser um projeto para o mestrado da autora e mais tarde transformou-se numa obra para ser submetida para o Centésimo Prémio Tezuka Manga, um concurso organizado pela editora Shueisha.

The Curse of the Fox Fire

A arte de “The Curse of The Fox Fire” é bastante sóbria e clara. Existe uma profundidade nas imagens, o que adiciona uma maior imersão e enriquece os planos. Apesar da influência mangá, o estilo de desenho das personagens é mais europeu, tendo um cunho pessoal da autora. São páginas que permitem sonhar e temer, aliando esta forma à narrativa.

The Curse of the Fox Fire

Em suma, o leitor poderá contar com uma história com pano para mangas, com os riscos fantásticos que um conto mágico contém em si. Lê-se bem e com gosto, revisitar memórias e experiências é um processo delicado, porque entre as felicidades, acham-se também as infelicidades. Umas não vivem sem as outras. “The Curse of the Fox Fire” é um diálogo com o medo, com o erro e com o maravilhoso, com esses elementos que temperam a vida, que a transformam e que lhe dão significado.

Autora: Maru-n
Ilustração: 
Maru-n
Género:
Mangá, Fantasia
Editora: 
Edição de autor
Argumento: 7
Arte: 7
Legendagem: 7
Veredito final: 7            

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