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Crítica BD – Papa Francisco

Múltiplos são os livros acerca desta figura emblemática da sociedade, finalmente em 2018, Jorge Mario Bergoglio – O Papa Francisco, vê a sua vida ilustrada em BD, lançada no mercado francófono… Para, agora em 2021, chegar a Portugal, editada pela Verbo.

Esta é uma biografia, uma homenagem, uma adaptação de uma vida que não contava ser contada aos demais. Perdoem-me a redundância, mas nesta obra observamos um percurso feito, acima de tudo, de gestos, mais do que discursos.

O nosso protagonista, fez caminhos a partir das favelas de Buenos Aires, um rapaz que adorava futebol, preenchia-se de amigos, preenchia-se de amores, dançado ao sabor do tango e da liberdade.

Mais tarde, em 1954, estava já dividido entre um curso de medicina e um inesperado chamamento religioso. Optando pela segunda opção, dedica-se a uma teologia do povo para o povo, defendendo e partilhando o Cristianismo.

De facto, uma tarefa árdua, perante a repressão e a violência militar, ainda assim Jorge Mario Bergoglio, tomou sempre posição contra as ditaduras, as injustiças e as maldades humanas.

Importa clarificar que este não é um homem perfeito, é um homem que tenta, que falha e que volta a tentar – esta é, exatamente, a melhor mensagem desta BD.

Assim que foi eleito, o Papa Francisco permanece e persiste a favor das causas que apoia, as pessoais e as naturais… E isso é sempre um alívio face a um Vaticano muitas vezes consumista, capitalista e pouco sincero – é outra das organizações que entende reformar, esperemos que passe à pretensão…

Talvez, o primeiro Papa de origem latino-americana, filho de imigrantes italianos, renovador de nascença, seja o tudo ou nada para uma instituição envelhecida, para um mundo desorientado e para uma comunidade pouco organizada.

Relativamente ao plano visual, gostei bastante das cores, dos ambientes, cenários e retratos das personagens. Produzindo uma sensação de leveza no leitor e oferecendo dinamismo à obra, quase como se pudéssemos sentir as estações, os cheiros e as relações.

Esta BD não é propaganda, não é um elogio despropositado, é sim, tal como referi antes, uma história, uma carreira, que pretende dar corda ao nosso dia a dia.

De exemplos se faz ação.

Arnaud Delalande é autor de uma dezena de romances históricos traduzidos em inúmeros países, como Le Piège de Dante. Em 2017, coassina a adaptação para cinema dos livros de Antoon Krings Les Drôles de Petites Bêtes e escreve com Olivier Balazuc o livreto da ópera Little Nemo in Slumberland de David Chaillou.

Yvon Bertorello é jornalista independente, realizador de documentários e reportagens para a televisão, argumentista de BD, autor de livros ilustrados e especialista na história do Vaticano. É, com Arnaud Delalande, autor da trilogia Codex Sinaïticus.

 Laurent Bidot é desenhador e argumentista. É autor de L’Histoire de la Grande Chartreuse de L’Histoire do Mont-Saint-Michel. Realiza o argumento e desenha os 4 volumes da série Le Linceul.

Autores: Arnaud Delalande, Yvon Bertorello, Laurent Bidot
Ilustração: Laurent Bidot
Género:
Banda desenhada, Biografia
Editora:
Verbo
Argumento: 9
Arte: 9
Legendagem: 7
Veredito final: 8

 

 

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