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Crítica BD – “O Profeta” – Novela Gráfica

A 20|20 Editora regressa com a adaptação de um novo clássico ilustrado por Pete Katz, após trazer até Portugal “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, chega agora com “O Profeta” de Kahlil Gibran.

Como suspeitam, trata-se naturalmente de um livro épico, um símbolo espiritual e, principalmente humano. Distribuído e conhecido por diversos países desde 1923. “O Profeta”, é uma prosa poética acerca da vida e de tudo que nela convive… Os nossos sonhos, as nossas amizades, os nossos estilos refletidos no vestuário, na felicidade, no tempo e na liberdade.

Falar da alma nunca é fácil, a mesma não é persistente, reina-se de inconstâncias, é, aliás mais fascinante por isso mesmo, pela beleza das tempestades. Exploramos esta narrativa, durante 26 fábulas, acompanhando o discurso do sábio Al Mustafá em praça pública e, simultaneamente seguindo a história de Al, uma mulher na contemporaneidade, que sofre com o coma do pai, com a pressão da rotina e com a aparente falta de imaginação para os seus quadros.

“Medir-vos pelo vosso feito mais pequeno é julgar o poder do oceano pela fragilidade da sua espuma”

Kahlil Gibran (1883 – 1931), foi um libanês marcado por uma infância pobre e perdas familiares prematuras, viveu a maioria da sua vida nos EUA. Foi um escritor, poeta e pintor. A sua criação “O Profeta” influenciou os anos 60 e os movimentos new age. Foi traduzida para mais de 100 idiomas, tornando-se um bestseller na América.

A par e par com o argumento, temos excelentes desenhos por Pete Katz, rostos e paisagens em sintonia com a história, com cores perfeitamente alinhadas e prazerosas, uma espécie de ASMR na BD. São traços realistas que exibem as rugas da paixão e da deceção pelas rotas do comércio, entre trocas e partilhas que obrigam a despedidas.

A lista de trabalhos do inglês Pete Katz, inclui adaptações de diversos contos de Edgar Allan Poe, de H. P. Lovecraft, de Frankenstein de Mary Shelley, etc. Todas elas atentas às linguagens e abordagens de cada autor.

“Fui eu quem falou? Não fui também um ouvinte?”

“O Profeta”, é uma obra que reflete acerca das nossas habilidades inatas, o autoconhecimento que temos e negamos, mais do que o cariz religioso, retrata-se o conforto da união, a ultrapassagem das inseguranças graças a uma mensagem de amor sobre amor.

Esta novela gráfica demonstra descobertas, lança alertas – emergências comportamentais sempre atuais, e pergunta, questiona, racionaliza e acredita em mudanças como na certeza do vento!

“Sempre que venho à fonte beber, encontro a própria água ela mesma sedenta, e ela bebe-me enquanto eu a bebo”

Autor: Kahlil Gibran
Ilustração: Pete Katz
Género: Banda Desenhada, Espiritual
Editora: 20|20

Argumento: 10
Arte: 8
Legendagem: 4
Veredito final: 9

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