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Crítica BD – O Coração na Boca

“O Coração na Boca”, marca o regresso de Horácio Gomes à banda desenhada, numa edição colorida e publicada pela editora Escorpião Azul.

Esta obra, que esteve já em exposição, na Amadora BD, assenta num divórcio, numa separação, numa quebra que arrasta consigo casais, filhos e muitos afetos. Trata-se de uma história verídica acerca de uma época difícil, contudo não menos fortificante para o autor.

Várias são as situações que surgem após o divórcio, une-se uma fase laboral precária e uma agonia em proteger e fazer entender à sua filha, de quatro anos de idade, que a saída de casa não se deve a ela, mas devido a problemas de outra ordem.

Múltiplas tarefas para um homem só, múltiplos cenários para apenas uma menina.

Achamos um testemunho real e transparente, onde Horácio Gomes não aparenta querer pintar uma imagem artificial ou plástica da pessoa que é, concede ao leitor um retrato duro e comovente, fala da sua saúde mental, das suas desilusões, das suas ambições…

Ao leitor que abertamente quiser conversar junto dele, encontra nesta BD um refúgio e um trampolim. Palavras distintas, estranhas uma à outra, eu sei, porém, no decorrer da leitura, pela mão e letra de Horácio, vemo-nos rodeados por essas duas coisas, os sofrimentos não são mais que alertas, do que luzes de presença para manter o nosso ser inquieto e atento, de imediato, pronto a saltar e a erguer connosco quem não acha retorno ao princípio.

Coabitamos diariamente com maleitas e stresses da rotina, no corpo pouco clássico deste livro, olhamos desvios que revelam confissões claras, que refletem delicadamente acerca dos corações, dos batimentos que cruzamos entre nós.

A nível visual:

“O Coração na Boca” traz consigo um estilo muito próprio, apresentando um traço super-realista e detalhado, que aparenta alimentar-se diretamente do registo fotográfico. O efeito é bastante expressivo, além de que, paralelamente, o processo de colorização, de cores suaves, mas carregadas de vida, também oferece uma dinâmica apelativa à obra. Existe uma harmonia entre tintas e emoções, bem balançadas e coincidentes.

O que fere a crítica a esta obra são as vinhetas, por vezes, muito semelhantes entre si, temos demasiados planos idênticos das personagens, elemento que graficamente não se alia ao texto.

Este livro acompanha a vida, isola dúvidas e complementa confortos.

É essencial.

Horácio Gomes, nasceu em 1968, em Lisboa. Frequentou o curso técnico – profissional de Imagem e Comunicação Audiovisual na Escola Secundária António Arroio, com especialização na área de Cinema. Desde 1989 ilustrou artigos e crónicas em jornais e fanzines. Até 2006 dedicou-se a escrever argumentos e a ilustrar os seus livros de BD. Fundou também a editora de BD Nova Comix. Nesse período foram publicados os seus livros “Na Pele do Urso” (1999, Edições Polvo); “A Canção do Viajante” que assinou como Jacques Creswell (2001, Nova Comix), e “Carne Viva N.1” (2006, Nova Comix). Após um interregno de quatro anos, em 2010 abraçou de novo a nona arte e iniciou a criação de “O Coração na Boca”.

Autor: Horácio Gomes
Ilustração: Horácio Gomes
Género: Banda Desenhada, Autobiográfico
Editora: Escorpião Azul

Argumento: 7
Arte: 9
Legendagem: 7
Veredito final: 8

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