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Crítica BD – “Nestor Burma” – Vol. 1 e 2

A obra-prima do polar francês de Malet e Tardi – Nestor Burma, detetive privado, na linha de Chandler, Hammett e Spillane, chegou a Portugal pela editora Gradiva!

Trata-se da adaptação do romance homónimo de Léo Malet, originalmente publicado em 1954, tendo sido o primeiro volume do ciclo Les Nouveaux Mystères de Paris. Este romance foi também adaptado à televisão através da série Nestor Burma, com o protagonista a ser interpretado por Guy Marchand, realizado por Joyce Buñuel.

Quanto à presente banda desenhada, foi editada originalmente pela Casterman em 2007, constituindo o 6.º volume da série dedicada ao “detetive que mete o mistério K.O.”

Em “Nestor Burma – A Noite de Saint-Germain-des-Prés – Vol. 1”, somos levados até ao verão de 1957, em Paris. Nestor Burma é atraído por um suicídio mal explicado e um saque de joias avultado.

Com a comicidade típica da obra, vamos percorrendo suspeitas e suspenses no percurso do protagonista, com um enredo que sabe sustentar os pilares basilares desta série.

Não se trata apenas de um policial, com inocentes e culpados, esta BD é também um diário de viagem e simultaneamente uma investigação de motivos e jornadas que originam locais de crime.

Em “Nestor Burma – O Sol Nasce Atrás do Louvre – Vol. 2”, a ação passa-se em Janeiro de 1954, no mercado Les Halles, em Paris.

Nestor Burma procura um dos seus clientes regulares que está desaparecido, desde que partiu para a capital. O que aparenta ser um simples inquérito de rotina não tarda a azedar com a descoberta de um cadáver.

Entre malfeitores, vítimas e analistas, achamos uma ilustração de estilo caricatural, de cores escuras, em coerência com os mistérios e dúvidas que apoquentam cada caso.

Nestor Burma, é mais que uma história de detetives, os quadradinhos de cada página estabelecem uma relação imersiva e empática com o leitor, respeitando os tempos da comédia, do thriller e do desvendar de cada caso. Somos envolvidos na teia de acontecimentos, ansiamos o desenlace e os próximos desafios.

Léo Malet, nasceu a 7 de Março de 1909 em Montpellier. Realizou vários trabalhos, experimentou a difícil arte de compositor antes de fundar um cabaré. Continuou a trabalhar em campos tão diversos quanto improváveis, apaixonou-se cada vez mais pelo surrealismo e conheceu André Breton. A pedido de um amigo, escreveu o seu primeiro romance policial em 1941, criando a série Johnny MetalNestor Burma entrou em cena em 1943, e logo se tornou parte da famosa série Novos Mistérios de Paris. Léo Malet faleceu em 1996, deixando para a posteridade uma obra à parte, entre o surrealismo e o thriller.

Emmanuel Moynot, nasceu em Paris em 1960. Depois de se destacar na fanzine PLG, depois na Viper, publicou o seu primeiro álbum, L’Enfer du Jour, na Glénat, em 1983. Em 1989 regista uma viragem na sua carreira com o álbum: La Pension des Deux Roses, em Magic-Strip. Começou, então, uma colaboração frutífera com Dieter, em Le Temps des Bombes, Qu’elle Crève la Carrogne!, e depois, nos dois volumes de Nord-Sud (Dargaud). Na Casterman, assina Happy Birthday Mum!, Enquanto Dormes, Meu Amor, e O Que Estás a Pensar?, antes de retomar em 2005 a série Nestor Burma que lhe foi confiada por Tardi. Em 2013, adaptou L’Homme Qui Assassinais Sa Vie, de Jean Vautrin.

Autor: Léo Malet
Ilustração:
Emmanuel Moynot
Género:
Banda desenhada, Policial
Editora:
Gradiva BD
Argumento: 7
Arte: 7
Legendagem: 6
Veredito final: 7   
       

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